Ser arrojado é uma das principais características de Adriano Buzaid, que até 2010 foi piloto de categorias como GP2 e Fórmula 3, que antecedem a Fórmula 1. Após deixar as pistas, a ousadia continuou nos negócios, ao apostar todas as fichas, em 2011, na importação de quatro contêineres com 700 drones para entregar inicialmente a compradores pessoas físicas, com vendas previstas ao longo de um ano. Fundou a Gohobby com investimento inicial de R$ 80 mil em capital próprio e um financiamento de US$ 1 milhão para compra, logística e distribuição dos equipamentos.
A coragem, somada à visão de negócios — que evoluiu para o atendimento a grandes companhias, especialmente do agronegócio, com drones agrícolas —, fez a empresa deslanchar e encerrar 2025 com receita de R$ 200 milhões e um plano de chegar a 2028 com faturamento de R$ 500 milhões.
“A partir de 2026, a engrenagem vai girar um pouco mais rápido”, disse Buzaid ao BRAZIL ECONOMY. O pé no acelerador ocorre com a ampliação da operação na região Norte do Brasil, com investimento de R$ 20 milhões na construção de um escritório e de um centro de distribuição em Porto Velho (RO).
“Vamos ampliar o suporte técnico e logístico para revendedores e produtores rurais da região”, afirmou o executivo, que, paralelamente, comanda outras frentes de crescimento da Gohobby, como a formação de um portfólio robusto de equipamentos e acessórios de marca própria e o avanço da linha de robôs humanoides.
Em relação à marca própria, a expectativa é lançar entre 20 e 50 equipamentos. A Gohobby já possui cinco produtos que levam o nome da empresa. Entre eles, o Gohobby Turbo, um cartão de memória de alto desempenho para armazenar fotos, vídeos e arquivos produzidos por drones em 4K, 6K e até 8K de resolução.
“Estamos ganhando market share nesse segmento pela confiabilidade dos cartões, que proporcionam rapidez e potência na leitura dessas imagens, que são muito pesadas”, disse o CEO.
Outro destaque é o Gohobby Sentinel, um sistema portátil de detecção de drones projetado para aplicações de segurança. Ele fornece monitoramento e alertas em tempo real para drones dentro de um espaço definido. “É uma linha antidrones, que detecta, neutraliza e faz com que eles pousem no local de onde decolaram”, explicou Buzaid.
As novidades deste ano em marca própria visam ampliar o leque de opções de equipamentos e acessórios e tornar ainda mais robusto o portfólio trabalhado pela Gohobby.
A fabricação desses itens hoje está concentrada na Ásia, no modelo white label. Mas o plano é executar projetos de design e tecnologia desenvolvidos no Brasil, em parceria com universidades. “Vamos ter produtos 100% nacionais também”, destacou o executivo.
Já na linha de negócios de robôs humanoides, a Gohobby avalia que o mercado está em processo de amadurecimento. Atualmente, as vendas desses produtos — que também englobam cães robôs — representam 7% da receita da companhia. “Esses robôs estão cada vez mais avançados e com mais tecnologia para ajudar as pessoas no trabalho ou em casa”, frisou o CEO, ao ressaltar que o mercado endereçável envolve pessoas físicas, empresas e instituições de ensino.
“Muitas companhias estão se associando a faculdades para desenvolver programações específicas para a indústria e para os setores em que atuam”, discorreu Buzaid. “Há muita automação sendo feita com esses robôs e também trabalhos refinados que os humanos não conseguem executar.”
Na perspectiva do fundador da Gohobby, esse segmento deve evoluir de forma semelhante ao que ocorreu com os drones, que, ao longo do tempo, ficaram mais acessíveis, ao mesmo tempo em que passaram a oferecer tecnologia cada vez mais avançada.
“Os humanoides muito bons, que faziam coisas incríveis, cinco anos atrás custavam em torno de 3 milhões de euros. Hoje é possível encontrar produtos de fabricantes globais entre US$ 7 mil e US$ 15 mil. Há empresas alugando por US$ 500 por mês”, afirmou o CEO da Gohobby, que trouxe o primeiro robô humanoide multitarefas da fabricante chinesa Unitree para o Brasil, no fim de 2024. O produto foi vendido para uma universidade de Joinville (SC).
A companhia também foi a primeira a trazer um carro voador para o Brasil, o eVTOL 216-S, da chinesa EHang, e a primeira a realizar um voo de carro voador no País, no segundo semestre de 2024. Esse é outro mercado no qual a Gohobby também está de olho para decolar nos negócios. Para um futuro próximo. E de maneira arrojada, que é está no DNA de Adriano Buzaid.

