Nos últimos anos, inovações como realidade aumentada e computação quântica têm alimentado grandes expectativas sobre o futuro da tecnologia. Porém, nem todas conseguem cumprir o que prometem. Um levantamento publicado pela MIT Technology Review reúne produtos, iniciativas empresariais e apostas tecnológicas que se mostraram decepcionantes por não conseguirem transformar ideias ambiciosas em resultados positivos para a sociedade. Veja a seguir as apostas tecnológicas que fracassaram em 2025:
Neo: o Robô de US$ 20 mil
Neo, o robô humanoide da startup 1X, foi apresentado como uma solução para tarefas domésticas, como dobrar roupas, abrir portas e passar aspirador. Entretanto, a promessa não se sustentou nos primeiros testes independentes. O robô dependeu de supervisão humana até mesmo para realizar atividades simples, o que levantou dúvidas sobre o custo-benefício de uma tecnologia que está sendo comercializada por cerca de US$ 20 mil.
IA bajuladora
Em 2025, a inteligência artificial dominou o debate global, impulsionada pelo ChatGPT. Apesar dos avanços, a OpenAI também enfrentou críticas ao lançar uma atualização considerada excessivamente “bajuladora”, que tendia a concordar com os usuários e chegou a validar ideias relacionadas a temas sensíveis, como impulsos suicidas.
Diante da repercussão, a OpenAI reconheceu o problema e voltou atrás. Segundo a empresa, esse tipo de modelo pode estimular a dependência emocional e validar dúvidas de forma inadequada.
A ressurreição do lobo-terrível
Em abril de 2025, a Colossal Biosciences anunciou ter trazido de volta da extinção três lobos-terríveis. A afirmação, no entanto, não corresponde exatamente ao que ocorreu. Extintos há mais de dez mil anos, os animais não foram recriados como a espécie original, mas sim obtidos por meio de modificações genéticas em espécies atuais.
Especialistas explicam que, embora apresentem trechos de DNA extraídos de fósseis dos lobos-terríveis, os animais não podem ser considerados réplicas fiéis da espécie extinta. Pesquisadores também alertam que iniciativas desse tipo podem desviar atenção e recursos de estratégias mais urgentes de conservação e preservação ambiental.
As vacinas de mRNA
Os Estados Unidos investiram pesado em vacinas de mRNA na época da pandemia do Covid-19. Essa tecnologia desempenhou um papel crucial na resposta global à pandemia. Porém, em agosto de 2025, as principais agências de saúde dos EUA, sob a liderança de Kennedy Jr., cancelaram quase US$ 500 milhões em subsídios e contratos para o desenvolvimento de vacinas de mRNA para outras doenças e medicamentos baseados na molécula, como tratamentos contra o câncer.
O fim da Wikipédia (em groenlandês)
A edição da Wikipédia em groenlandês foi descontinuada. Apesar de o idioma ter cerca de 60 mil falantes no mundo, a enciclopédia praticamente não era utilizada por falantes da língua, já que grande parte dos conteúdos havia sido abastecida por traduções automáticas que apresentavam diversos erros.
O caso levantou preocupações, pois esses artigos podem servir de base para o treinamento de novos modelos de inteligência artificial, colocando ainda mais em risco a preservação do idioma.
Cybertruck: O fracasso de Elon Musk
As vendas do modelo da picape elétrica Cybertruck caíram significativamente em 2025, mesmo após um início promissor. O acúmulo de unidades em estoque levou a empresa a redirecionar parte dos veículos para uso interno em companhias do próprio grupo, como a SpaceX.
Mais do que um problema específico do modelo, o desempenho da Cybertruck expõe as dificuldades da categoria de picapes elétricas como um todo, já que até a Ford decidiu abandonar o seu modelo dessa categoria, a F-150 Lightning.
A moeda digital do Donald Trump
Em meio à onda das criptomoedas, o presidente Donald Trump lançou, poucos dias após a posse, uma moeda digital associada à sua imagem. No verso, o design traz Trump com o punho erguido diante de uma grande bandeira americana, acompanhado do lema “FIGHT, FIGHT, FIGHT”.
Na prática, trata-se de um ativo de caráter essencialmente colecionável, criado para compra e revenda, frequentemente marcado por alta volatilidade e perdas para investidores.
Apple Watch neutro em carbono
Em 2023, a Apple lançou uma versão do Apple Watch apresentada como neutra em carbono, destacando o uso de materiais reciclados e energia renovável no processo produtivo. A iniciativa, no entanto, passou a ser alvo de acusações de greenwashing (prática de marketing em que empresas se promovem como sustentáveis sem comprovação efetiva).
As críticas ganharam força após a abertura de um processo na Califórnia por publicidade enganosa e uma decisão judicial na Alemanha que proibiu a Apple de anunciar seus produtos como neutros em carbono. Segundo o tribunal, o “suposto armazenamento de CO₂ em plantações comerciais de eucalipto” não pode ser tratado como uma compensação ambiental garantida.
Diante da repercussão, a Apple retirou o selo de neutralidade de carbono das embalagens mais recentes.

