Mercado de trabalho em 2026: guerra por talentos e cargos voltados a IA em alta

Guia da Gi Group Holding, uma das líderes globais em soluções para o mercado de trabalho, aponta que funções tradicionais crescem de forma tímida, enquanto funções ligadas à Inteligência Artificial operam em pleno emprego

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Imagens: Freepik

Mercado de trabalho caminha para um 2026 de crescimento moderado, mas com disputa acirrada por profissionais de alta qualificação

Mercado de trabalho caminha para um 2026 de crescimento moderado, mas com disputa acirrada por profissionais de alta qualificação

A competição intensa por especialistas sempre esteve em voga no mercado de trabalho. Mas, em 2026, esse cenário vai se acentuar. O interesse por funções tradicionais, em relação aos cargos voltados à Inteligência Artificial, será ainda mais distante, e esse descompasso deve perdurar por vários anos. Essa é a conclusão central que integra o Guia Estratégico de Remuneração 2026, produzido pela Gi Group Holding, uma das líderes globais em soluções para o mercado de trabalho. O BRAZIL ECONOMY teve acesso a alguns indicadores em primeira mão.

De maneira geral, o mercado de trabalho caminha para um 2026 de crescimento moderado, juros ainda elevados e uma disputa cada vez mais acirrada por profissionais de alta qualificação.

Ainda que o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) projetado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) para este ano seja de 1,6% e a inflação siga em trajetória de queda, as empresas terão desafios crescentes para atrair e reter especialistas em tecnologia, dados e sustentabilidade, áreas que já apresentam inflação salarial própria.

Se os empregos tradicionais crescem de forma tímida, os cargos ligados à IA, à segurança de dados e à transformação verde operam com desemprego técnico abaixo de 4% entre profissionais com ensino superior.

“A disputa por talento qualificado não é conjuntural, é estrutural. Empresas de todos os setores concorrem por um mesmo e reduzido pool de especialistas em tecnologia, inteligência artificial e ESG”, analisou Rafael Chenta, coordenador do estudo e gerente de operações da INTOO, unidade de desenvolvimento de carreira da Gi Group Holding.

“O salário segue sendo um fator relevante, mas já não é suficiente. O profissional busca flexibilidade, clareza sobre sua trajetória e um pacote de valor que inclua desenvolvimento contínuo”, afirmou.

O relatório destaca que a proficiência em IA se tornou uma “meta-habilidade”, capaz de elevar o salário do profissional. Um analista financeiro que domina modelos preditivos baseados em IA, por exemplo, pode ganhar muito mais do que outro profissional com o mesmo título, mas competências tradicionais. A projeção é de que entre 37% e 39% das competências profissionais atuais precisem ser transformadas até 2030, impulsionando uma onda de requalificação corporativa.

Trata-se de um movimento que força as empresas a redesenhar seus planos de cargos e salários, segundo o executivo da INTOO. “Estamos entrando na era dos salários aumentados por IA, em que o nível de domínio tecnológico cria faixas paralelas de remuneração dentro do mesmo cargo”, disse Chenta. “A remuneração passa a refletir impacto e escassez, não apenas senioridade.”

Aumento salarial em áreas críticas

A mediana do relatório Focus aponta a Selic no fim de 2026 em 12,25%, o que naturalmente pressiona os resultados das empresas e também afeta negativamente os aumentos salariais.

De acordo com o relatório, a tendência das companhias é concentrar os investimentos voltados à remuneração dos colaboradores em áreas críticas, enquanto o restante da força de trabalho depende mais de bônus, metas e recompensas variáveis.

“Em um cenário de juros altos, cada real do orçamento de RH precisa gerar retorno mensurável. Não veremos grandes reajustes em massa, mas sim aumentos segmentados para manter talentos essenciais”, discorreu Rafael Chenta.

O relatório identifica funções que impulsionaram recrutamentos em 2025 e devem continuar entre as mais disputadas neste ano. Entre elas estão diretor de receita (CRO), especialistas em IA e automação de processos, analistas de cibersegurança, engenheiros de segurança de processo e gestores e analistas de sustentabilidade.

Segundo o levantamento, apenas cargos ligados à tecnologia e à gestão movimentaram até 30% das novas vagas em setores emergentes. E o profissional mais valorizado de 2026 é o chamado “híbrido”, aquele capaz de combinar domínio técnico com fluência digital e sensibilidade humana.

“Não basta ser especialista em tecnologia. O mercado quer quem conecte tecnologia ao negócio, alguém capaz de liderar, inovar e aprender rápido”, avaliou o executivo.

Requalificação é a prioridade

Para 2026, a Gi Group Holding aponta a “Grande Requalificação” como prioridade estratégica. Metade das empresas brasileiras ainda não utiliza IA de forma estruturada, e grande parte das que usam está em estágios iniciais. O gargalo principal é a falta de talentos.

“A única estratégia sustentável é desenvolver a força de trabalho atual. Recrutar profissionais ‘prontos’ em áreas de altíssima demanda é caro e, muitas vezes, inviável”, avaliou Chenta. “As empresas vencedoras serão aquelas que investirem fortemente em aprendizagem contínua.”

Desigualdade salarial nos Estados

Os dados do estudo mostram que o salário médio nacional deve chegar a R$ 3.548 em 2026, com forte disparidade regional. O Distrito Federal lidera com média de R$ 5.547, seguido por São Paulo, com R$ 4.298. No outro extremo, Maranhão e Ceará permanecem entre as menores médias do País.

Segundo o coordenador da INTOO, essa diferença impacta a mobilidade profissional e a concorrência entre empresas regionais. “Profissionais qualificados continuam migrando para polos de inovação, o que deixa alguns mercados com déficit crônico de mão de obra especializada”, disse Chenta.

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