Quando falamos em Inteligência Artificial, o que se destaca não é apenas o que ela facilita no nosso dia a dia, mas o impacto que tem no mundo dos negócios. Um estudo da McKinsey estima que o uso da IA generativa em diversos setores pode gerar até US$ 4,4 trilhões por ano na economia global. Seus efeitos já estão sendo sentidos em marketing, vendas, pesquisa e desenvolvimento, atendimento ao cliente e engenharia de software.
Um setor que também passa por uma verdadeira revolução é a educação, e esse impacto está prestes a redefinir o futuro da aprendizagem no Brasil e no mundo. Segundo a Market.us, o mercado global de IA em EdTech deve alcançar US$ 92 bilhões até 2033, crescendo a uma taxa anual de 38%. Ainda assim, as pressões sobre os sistemas educacionais continuam a aumentar. A escassez de professores está se agravando, as demandas por competências evoluem rapidamente e o mundo segue fora do caminho para cumprir o quarto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que visa garantir uma educação inclusiva e de alta qualidade para todos.
Mas, para além dos números, o que a Inteligência Artificial realmente muda na prática quando se trata de educação e, especialmente, de aprendizagem de idiomas, um pilar fundamental para o desenvolvimento do Brasil?
Os avanços da IA generativa, aliados a grandes volumes de dados educacionais e a estruturas pedagógicas mais claras, estão transformando o que a tecnologia educacional é capaz de oferecer. Hoje, os assistentes de ensino baseados em IA não só dão respostas, como oferecem feedback contínuo e dão suporte estruturado de forma eficaz. E o que antes parecia impossível de ser escalado, já é acessível a milhões de pessoas de forma personalizada.
O inglês é a maior oportunidade educacional do mundo: ele tem o poder de transformar vidas e carreiras e, quando ensinado em escala, pode impulsionar economias inteiras. Ainda assim, continua sendo um dos grandes desafios da educação brasileira. Embora seja uma disciplina obrigatória, poucos brasileiros conseguem se expressar com confiança no idioma. Segundo o British Council, que promove parcerias entre universidades britânicas e instituições estrangeiras, apenas 5% da população consegue manter uma conversa em inglês de forma eficaz.
As razões são conhecidas: falta de oportunidade para praticar fora da sala de aula, excesso de foco em gramática e vocabulário, poucas horas na grade escolar e escassez de professores capacitados.
E é justamente aqui que a IA entra – e muda tudo.
Na década de 1980, Benjamin Bloom constatou, no problema dos 2 sigma de Bloom, que alunos que recebem tutoria individual têm um desempenho quase 98% superior que os colegas com acesso às salas de aulas tradicionais.
O problema é que antes da inteligência artificial, oferecer tutoria individual era muito caro e impraticável em larga escala.
As soluções com IA chegaram para fortalecer o sistema educacional existente, ao mesmo tempo em que apoia o trabalho dos professores. De forma dinâmica, o aluno consegue praticar quatro habilidades do idioma inglês: leitura, escrita, compreensão auditiva e fala, avança na proficiência e ganha confiança para aplicar o que aprende em situações reais.
Com essas novas tecnologias, o aprendizado pode ser moldado às necessidades individuais de cada estudante, tornando o processo mais envolvente e eficiente. Simulações de situações do mundo real, como reuniões de trabalho ou conversas sociais, passam a fazer parte da experiência de aprendizagem.
A IA também permite a criação de planos de estudo personalizados, recomendando atividades e conteúdos de acordo com o nível e o ritmo de cada aluno.
O papel da IA não é substituir os educadores, mas potencializar sua atuação. Quando a tecnologia é combinada com a instrução humana, o engajamento aumenta e os resultados se comprovam. No Paraná, por exemplo, acompanhamos estudantes ao longo de dois anos e observamos um aumento de 32,5% no número de respostas corretas na prova estadual de inglês.
No Brasil, mais de 4 milhões de alunos da rede pública dos estados como Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia já têm acesso a esse tipo de solução.
Aprender um idioma é construir pontes. Líderes que dominam um segundo idioma com confiança ampliam suas perspectivas, conectam culturas e aceleram os negócios. A transformação cultural começa pela comunicação e a IA tem o poder de tornar esse processo mais acessível, inclusivo e eficaz.
As evidências e os resultados observados até agora nos dão a confiança de que o que estamos construindo não é apenas teoria, mas gera valor real para a educação na prática: uma forma concreta de oferecer educação personalizada e de qualidade para um número cada vez maior de pessoas.
*Eduardo Santos é vice-presidente sênior da Efekta e diretor-geral da EF América Latina
