A construção civil brasileira vive um momento de transformação profunda, com a consolidação da sustentabilidade como ponto central dos projetos de novos empreendimentos residenciais, vocacionados a cumprir parâmetros de eficiência e redução do impacto ambiental das obras e de seu uso.
O setor, que está entre os mais conservadores, demorou alguns anos para finalmente ser impactado pela tendência ESG (ambiental, social e governança). Com a aprovação massiva do consumidor imobiliário, as incorporadoras embarcaram de vez na missão de construir edifícios cada vez mais sustentáveis.
Os quase oito anos de experiência na construção de empreendimentos sustentáveis na AGL mostraram que a concepção de um edifício “verde” não é feita simplesmente com a adoção de algumas soluções sustentáveis ou com adaptações no projeto arquitetônico. A lição é que a sustentabilidade, na construção civil, deve ser premissa e também ponto de partida de cada decisão.
Ao trazer uma consultoria especializada, em 2017, ficou nítido para a AGL que eficiência energética e hídrica, geometrias que reduzem desperdícios e escolhas arquitetônicas mais inteligentes não eram apenas opções técnicas para um empreendimento, mas um novo caminho a ser seguido.
A “virada de chave” da incorporadora considerou a lógica de que o custo adicional nas obras poderia representar uma economia significativa no uso, algo que seria percebido e valorizado pelos clientes. Foi exatamente o que ocorreu. Em 2020, foi entregue o primeiro empreendimento da AGL vocacionado à sustentabilidade. Todos os que vieram na sequência repetiram o padrão e o sucesso de vendas, com o refinamento das soluções de sustentabilidade a cada novo projeto.
Nos últimos cinco anos, a evolução da construção civil sustentável foi acelerada. As certificações verdes, como as do GBC (Green Building Council), tornaram-se alavancas para o aprimoramento das práticas de alta eficiência ambiental no setor. Tecnologias como softwares de simulações matemáticas e modelagem 3D dos projetos tornaram possível alcançar altos níveis de desempenho, conforto térmico e acústico. Novidades da arquitetura paisagística, como o design biofílico e o paisagismo regenerativo, também estão transformando as áreas comuns dos condomínios.
O futuro traz desafios que devem impulsionar a construção civil a avançar ainda mais, como os extremos climáticos, a ampliação da frota de veículos elétricos e o mercado de energia livre. Estarão à frente aqueles que compreenderem que a sustentabilidade não é uma etapa: é um preceito. É fato que construir não é apenas erguer paredes, mas assumir responsabilidade pelo efeito da edificação na cidade, pelos empregos gerados, pelos recursos utilizados e pelo impacto deixado. A sustentabilidade deve orientar escolhas, processos, parcerias e uma gestão construtiva responsável. Ou seja, deve estar não apenas nos projetos, mas na mentalidade corporativa.
*Luiz Antoniutti é sócio fundador e diretor-executivo da AGL

