Um levantamento com base nos relatórios de carteiras recomendadas dos principais bancos privados que atuam no Brasil mostra que a estratégia de seleção ativa de ações gerou retornos significativamente superiores ao Ibovespa no período de quatro anos encerrado em 2025. O destaque absoluto ficou com a carteira Top 5 do Itaú BBA, que mais do que dobrou o capital dos investidores, com valorização acumulada de 105,9% entre 2022 e 2025.
A carteira é assinada pelos analistas Victor Natal e Matias Dadbad Venosa e liderou o ranking de desempenho em renda variável no período analisado. Na segunda posição aparece a carteira Ibovespa+ do Santander, com ganho acumulado de 76,59%, sob a responsabilidade dos analistas Ricardo Peretti e Alice Corrêa.
O terceiro lugar ficou com o portfólio 10SIM, do BTG Pactual, que registrou rentabilidade acumulada de 75,55% em quatro anos. A carteira é construída pela equipe de research liderada por Carlos Sequeira, com os analistas Leonardo Corrêa, Antonio Junqueira, Osni Carfi e Bruno Henriques.
Na quarta posição, a carteira Top 10 da Ágora acumulou ganhos de 71,26% no período. Segundo o relatório mais recente, datado de 26 de dezembro de 2025, o portfólio teve desempenho expressivo em 2025, com alta de 56,6%. A carteira é assinada pela equipe de research liderada por Ricardo França.
No mesmo intervalo de quatro anos, o Ibovespa avançou 53,7%, saindo de 104.822,44 pontos ao fim de 2021 para 161.125,37 pontos em 2025, desempenho inferior ao das carteiras líderes do ranking.
Para André Kelmanson, CEO da Grana Capital, o diferencial das carteiras campeãs esteve na performance recente. Segundo ele, todas apresentaram, em 2025, resultados superiores ao do próprio Ibovespa, que subiu 33,95% no ano, de 120.283,40 pontos em 2024 para 161.125,37 pontos em 2025. “Foi o melhor ano da bolsa brasileira desde 2016, quando o índice avançou 38,94%”, afirmou.
Kelmanson destaca que o desempenho reflete a capacidade dos gestores de navegar em um ambiente macroeconômico desafiador. “2025 foi marcado por forte volatilidade, com o impacto do tarifaço dos Estados Unidos e juros elevados no Brasil, com a Selic em 15% ao ano. Ao longo do ano, houve avanço nas negociações comerciais entre os dois países, desaceleração da inflação doméstica e um fluxo relevante de capital estrangeiro para mercados emergentes como o Brasil”, avaliou.
O estudo considerou os relatórios anuais das carteiras recomendadas entre 2022 e 2025 e comparou os resultados com a performance do principal índice da bolsa brasileira no mesmo período.


