Brasil desafia prognósticos pessimistas com bolsa em recorde e dólar em queda

Com fluxo estrangeiro em alta, expectativas de juros menores e inflação mais comportada, ativos brasileiros sobem e reforçam a percepção de resiliência da economia mesmo diante de incertezas fiscais e do cenário externo

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Imagens: J.Comp/Freepik

Os principais bancos de investimento e estrategistas de mercado têm mantido uma visão positiva

Os principais bancos de investimento e estrategistas de mercado têm mantido uma visão positiva

O desempenho recente da economia brasileira surpreende analistas e investidores depois de anos de previsões alarmistas sobre um possível colapso financeiro. Com o dólar saltando em novembro passado, recuando e estabilizando em patamares próximos de R$ 5,28, e a bolsa de valores renovando recordes históricos, o País mostra resiliência em indicadores que muitos observadores consideravam frágeis. A trajetória recente da B3 e do Ibovespa sinaliza um ambiente de mercado que, apesar das incertezas globais, tem surpreendido positivamente.

O principal índice acionário brasileiro alcançou mais de 178 mil pontos, marcando máximas sucessivas enquanto o dólar opera consistentemente em níveis mais baixos, a R$ 5,28, apoiado por fluxos externos negativos nos Estados Unidos, com Donald Trump, e expectativas de queda de juros no futuro próximo.

O Ibovespa vem renovando máximas históricas de fechamento e intradia ao longo dos últimos meses, em ciclos que refletem tanto ganhos corporativos quanto movimentos de capital alocados em mercados emergentes.

Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, “a alta da bolsa reflete principalmente o aumento da posição do investidor estrangeiro no Brasil, que já vinha presente no mercado e agora intensifica a alocação diante de um cenário externo mais favorável”. Mollo acrescenta que “com o dólar mais calmo e a expectativa de juros mais baixos à frente, o Ibovespa segue renovando máximas”.

Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, vê espaço adicional de valorização. “Estamos nos aproximando também das divulgações do quarto trimestre, com guidance, temos um País que vai crescer, com uma taxa de juros que vai cair. Então, temos aqui um mercado aligned, negociando ainda abaixo da média histórica de preço/lucro”. Essa visão aponta que valorizações ainda podem ocorrer caso as condições macroeconômicas sigam favoráveis.

Apesar de variações pontuais em dados de atividade econômica, as expectativas de crescimento para 2026 ainda refletem uma economia em expansão moderada, mas vigorosa o suficiente para atrair capitais. Projeções recentes de mercados e institutos de pesquisa indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer em torno de 1,5% a 2% no ano.

Câmbio e política monetária

O comportamento do câmbio nos últimos meses também tem surpreendido analistas que em 2024 e 2025 previam desvalorização mais forte do real. Em 2026, a moeda brasileira tem se mantido relativamente estável, influenciada pelo fluxo de investimentos estrangeiros e pela percepção de risco global mais equilibrada.

O Banco Central do Brasil manteve a Selic em 15% ao ano, num cenário em que a inflação permanece dentro de um intervalo que autoriza leituras otimistas. Isso tem atraído posições mais firmes no mercado de renda fixa e reforçado o apetite por risco em renda variável doméstica, contribuindo para a expressiva entrada de capitais.

Mesmo com os indicadores positivos, analistas e gestores de investimentos reforçam que persistem riscos que não podem ser ignorados. A cautela com políticas fiscais de longo prazo e a evolução dos juros externos continuam no radar dos investidores.

Especialistas lembram que o ambiente fiscal brasileiro ainda merece atenção se comparado a padrões internacionais. A trajetória de dívida pública, por exemplo, permanece em níveis que exigem vigilância constante por parte de gestores e órgãos reguladores, e mudanças abruptas no quadro político ou fiscal podem reconfigurar rapidamente as expectativas de mercado.

Outro ponto levantado pelos analistas é o impacto de tensões geopolíticas internacionais, que podem afetar o preço das commodities e o fluxo global de capitais. A volatilidade externa ainda é capaz de influenciar mercados emergentes como o brasileiro mais intensamente do que economias maduras, exigindo uma leitura atenta dos desdobramentos globais.

Para este ano, os principais bancos de investimento e estrategistas de mercado têm mantido uma visão positiva, ainda que ponderada. Alguns relatórios de instituições financeiras internacionais sugerem que o Ibovespa ainda pode registrar novas altas, caso fatores como inflação controlada, juros mais baixos e fluxo estrangeiro favorável persistam.

A visão de analistas é que a bolsa brasileira continua sendo uma oportunidade atrativa dentro dos mercados emergentes. Parte dessa avaliação se baseia no fato de que, apesar das recentes altas, muitos indicadores de valuation ainda mostram valuations relativamente conservadores se comparados com médias históricas de longo prazo.

Especialistas ressaltam que não se trata de uma situação de euforia irracional, mas de um movimento sustentado por fundamentos econômicos reais e expectativas ajustadas à realidade macroeconômica global e doméstica.

O momento atual da economia brasileira traz sinais consistentes de resiliência e atratividade, com bolsa em recorde, dólar controlado e expectativas de crescimento gradativo. Esses elementos desmontam parte dos prognósticos pessimistas que circularam nos últimos anos e mostram uma realidade em que o Brasil não apenas mantém estabilidade, mas também atrai capital e confiança do mercado.

Especialistas consultados destacam que a trajetória pode continuar positiva, desde que os pilares macroeconômicos (inflação, câmbio, juros e política fiscal) sigam em equilíbrio. A visão majoritária é que, embora desafios permaneçam, o Brasil tem demonstrado uma capacidade de ajuste e adaptação que permite uma perspectiva de crescimento sustentável, tanto no mercado de capitais quanto na economia real.

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