Ninguém pode negar que os planos da Omni, empresa de financiamento de veículos para as classes C e D são ousados. Comandada pelo engenheiro Heverton Peixoto desde março de 2023, a meta até 2028 é alcançar R$ 10 bilhões em carteira R$ 1,5 bilhão em patrimônio líquido.
Após captar R$ 500 milhões no final de 2025, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para financiar seus projetos de crescimento, a Omni iniciou 2026 calibrando seu portfólio de seguros ao fechar uma parceria com a Schumann, maior rede regional de varejo do oeste catarinense, sediada em Chapecó, e voltada para a venda de móveis e eletrodomésticos. Agora, a Omni também é responsável pela oferta de seguros, garantias e assistências dentro das lojas da rede.
“A operação de seguros da Omni cresceu 150% nos últimos quatro anos. Nossa corretora da área tem mais de 90% de margem EBITDA e vem conseguindo entregar fortes avanços na rede de financiamento de veículos, mas até então não estávamos presentes no varejo. Com esse arranjo, acertamos quatro anos de exclusividade no balcão das lojas Schumann”, afirmou Heverton Peixoto, que tem longa trajetória na área de seguros, já que atuou por cerca de dez anos no Wiz Co, companhia que oferece seguros e produtos financeiros em toda a América Latina.
“Éramos conhecidos apenas como financiadora de veículos. Nossa ideia a partir deste case bem-sucedido é replicar o mesmo tipo de desenho e solução para cerca de 16 outros parceiros operacionais que atuam com crediário, onde o impacto nos pagamentos por seguros oferecidos pela da Omni pode ser significativo”, disse.
Ainda de acordo com Peixoto, caso a parceria alcance o sucesso esperado, ela tem potencial de dobrar a operação de seguros da Omni que hoje gera R$ 400 milhões por ano. “isso mostra o potencial em termos de impacto do mercado de seguros de uma empresa que até quatro anos atrás era conhecida apenas como financiadora de veículos”, comemora o CEO.
A parceria entre as duas companhias não é de agora. Nos últimos sete anos, ela gerou uma carteira próxima a R$ 50 milhões para a Omni em operações de crediário dentro das lojas da Schumann. Com a entrada no balcão de seguros, a expectativa é gerar outros R$ 48 milhões dentro do período do contrato.
“O crescimento dessa parceria reflete a relação de confiança construída ao longo dos anos e torna mais forte nosso compromisso em oferecer soluções que ampliem o acesso do público a produtos e serviços essenciais. Seguimos ao lado da Schumann, contribuindo com a experiência dos clientes e com a evolução dos negócios das duas companhias”, declarou Peixoto.
Liquidação do Master aumentou demanda pelos CDBs da companhia
Além da diversificação de seu portfólio na área de varejo, pode-se dizer que a Omni também contou com a sorte da conjuntura financeira nacional. Para bater sua meta tão ousada de crescimento, um dos principais instrumentos de financiamento deste projeto é justamente as novas emissões de letras, CDBs e securitização.
De acordo com Heverton Peixoto, desde que a Omni está no mercado há mais de 30 anos, os últimos meses foram recordistas de captação, o que ele atribuiu ao processo de liquidação do Banco Master que provocou uma onda de investidores buscando instituições com maior credibilidade no mercado.
Mesmo sem ter fechado o balanço do último ano, a estimativa da Omni é de crescimento entre 18 e 19%, enquanto para 2026 o CEO prevê crescer de 16% a 18%. A companhia vem potencializando ainda os investimentos em inteligência artificial e canais digitais, além de ter aumentado o número de agentes espalhados pelas atuais 360 cidades onde atua: a previsão é chegar a 250 novos agentes até 2028, contra os pouco mais de 120 que possui agora.
Atualmente, a companhia ocupa o ranking das dez maiores financiadoras de veículos do Brasil e o plano até 2031 e ficar entre as cinco primeiras. Para isso, a Omni pretende ainda aumentar sua participação em cidades entre 500 mil e dois milhões de habitantes, como foco naquelas voltadas para o agronegócio e onda a população demanda veículos que trafeguem por fazendas.
