Após alcançar a marca de R$ 1 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) lançado em 2025, a AW Realty entra em 2026 com perspectiva de crescer até 20%, mesmo em um ambiente de juros elevados. Na semana passada, a incorporadora apresentou seu primeiro projeto do próximo ciclo, um empreendimento na Zona Norte de São Paulo, região que concentra cerca de um terço da atuação da companhia.
Segundo Cláudio Carvalho, CEO da incorporadora, o desempenho de 2025 refletiu não apenas um bom momento do mercado imobiliário paulistano, mas também a maturidade da empresa, que completa sete anos de operação. “Lançar R$ 1 bilhão parece simples quando se olha o número final, mas foi resultado de um planejamento de projetos bem estruturados e de uma leitura cuidadosa do mercado”, afirmou Carvalho, ex-vice-presidente da Cyrela.
Ao longo de 2025, a AW Realty colocou no mercado quatro empreendimentos, entre eles o Visar Jardim Europa, projeto de alto padrão com componente corporativo destinado ao permutante, o Quinta Essência, no Campo Belo, e o Serena, no Jardim São Paulo, além do Union, em Santana. “Foi um ano muito bom de vendas e de crescimento, apesar da Selic elevada”, diz Carvalho. A empresa fechou o período com crescimento de cerca de 20%.
Com foco em produtos que transitam entre o médio-alto, alto padrão e luxo, a AW Realty tem conseguido atravessar o ciclo de juros altos com menos impacto do que outros segmentos do mercado. De acordo com Carvalho, o comprador de alta renda é menos sensível ao custo do crédito. “Esse cliente tem diversificação de investimentos, faz um fluxo maior até a entrega das chaves e, muitas vezes, quita com recursos próprios. Quando financia, consegue taxas melhores por conta do relacionamento bancário”, explica.
O cenário é diferente no médio padrão, especialmente na faixa que atende a antiga classe média. “Esse segmento sofre mais porque a Selic alta afeta tanto a capacidade de comprovação de renda quanto o repasse do financiamento. Mesmo quando a venda acontece, há risco de o cliente não conseguir aprovação no banco”, afirmou.
Para 2026, a AW Realty prevê entre quatro e cinco lançamentos, com VGV estimado em torno de R$ 1,2 bilhão. Dois projetos já estão aprovados e devem chegar ao mercado no primeiro semestre e em agosto. Outros dois estão na esteira, incluindo um empreendimento boutique de alto padrão próximo ao Hotel Unique, na região do Ibirapuera, e um novo projeto na Zona Norte, no Alto de Santana.
No médio prazo, a estratégia segue concentrada na capital paulista. “Meu foco é São Paulo e Grande São Paulo. Não temos planos concretos de ir para outras cidades neste momento”, disse o executivo.
Estoque controlado e ausência de bolha
Apesar do volume elevado de lançamentos na cidade, Carvalho não vê risco de excesso de oferta. Ele cita estudos recentes do UBS que apontam São Paulo como um dos mercados mais resilientes do mundo em relação à formação de bolhas imobiliárias. Dados do Secovi-SP indicam que o estoque atual na cidade equivale a cerca de 18 meses, nível considerado saudável.
“São Paulo é uma cidade pujante, com formação constante de novas famílias e demanda estrutural por moradia. Se houvesse um problema sério aqui, ele apareceria antes em outras capitais”, avaliou.
Na visão do CEO, a principal trava atual do mercado está concentrada justamente na renda média, onde existe uma demanda reprimida. “Quando o Banco Central começar a reduzir os juros, essa demanda tende a aparecer rapidamente”, disse. Para Carvalho, um cenário mais favorável pode se consolidar a partir de 2027, desde que o ambiente macroeconômico permita.
Enquanto isso, o segmento de alta renda deve seguir aquecido. “É importante reforçar: a alta renda continua comprando. O problema está concentrado no médio padrão”, afirmou.
A estrutura de capital da AW Realty combina recursos próprios dos três sócios com financiamento à produção junto a grandes bancos, como Itaú e Bradesco. A empresa evita endividamento para aquisição de terrenos, priorizando modelos com permuta física ou financeira. “Não gostamos de carregar terreno por muito tempo. Terreno parado é despesa”, explicou Carvalho.
Atualmente, o landbank da incorporadora soma cerca de R$ 3 bilhões em VGV potencial, suficiente para lançamentos em 2026, 2027 e parte de 2028. A companhia segue ativa na compra de áreas, especialmente na Zona Norte, onde desenvolve novos projetos.
Com custos de materiais e mão de obra sob controle, segundo o executivo, a AW Realty inicia 2026 em um ritmo considerado positivo. “O ano começou bem. Nosso desafio agora é repetir o desempenho de 2025 e capturar as oportunidades que surgirem quando o ciclo de juros começar a virar”, acrescentou Carvalho.
