A rede hoteleira portuguesa Vila Galé encerrou 2025 reforçando o Brasil como um dos principais motores de crescimento do grupo no mundo. Segundo o presidente Jorge Rebelo de Almeida, a operação brasileira faturou mais de R$ 800 milhões no ano passado, em um desempenho que superou o ritmo de expansão observado em Portugal. Globalmente, a companhia registrou receita de 321,5 milhões de euros, o equivalente a R$ 2,1 bilhões.
“O Brasil hoje é uma das nossas principais alavancas de crescimento. Crescemos cerca de 20% em 2025 na comparação com 2024, enquanto em Portugal o avanço foi de pouco mais de 7%”, afirmou o bilionário ao BRAZIL ECONOMY. Para ele, a diferença seria ainda mais visível se não fosse a desvalorização do real. “Se a moeda brasileira não tivesse perdido tanto valor, o que faturamos aqui em reais já estaria muito próximo de Portugal quando convertido.”
No mercado português, o grupo reportou aproximadamente 250 milhões de euros em faturamento em 2025, além das receitas em países como Espanha e Cuba. “Portugal continua sólido, mas o Brasil cresce mais rápido. É um mercado com escala, diversidade e um potencial turístico extraordinário”, disse.
Parte desse desempenho está ligada à aceleração do cronograma de entregas. No intervalo de aproximadamente um ano, a Vila Galé inaugurou três hotéis no Brasil, incluindo projetos considerados estratégicos para posicionamento da marca.
Um dos destaques foi o Vila Galé Amazônia, em Belém, concluído em apenas 11 meses. “Foi um prazo recorde. Inicialmente o hotel estaria pronto para a COP, mas acabámos fazendo um esforço adicional para abrir antes do Círio de Nazaré. Conseguimos entregar um projeto muito especial em tempo recorde”, afirmou Almeida.
Instalada na região das docas, a unidade foi construída a partir da recuperação de antigos galpões portuários. “Às vezes dá mais trabalho recuperar do que fazer tudo novo, mas o resultado é outro. O hotel ficou em cima da água, com jardim, piscina exterior e uma identidade amazônica muito forte”, explicou.
A recuperação de edifícios históricos tornou-se um eixo central da estratégia da Vila Galé no Brasil. Segundo o CEO, investir em patrimônio cria diferenciação e fortalece a atratividade internacional dos destinos. “Os hotéis iguais em todo o mundo já não fazem falta. O que atrai o turista é a história, a arquitetura, a gastronomia local. É isso que faz a diferença para trazer turismo internacional para o Brasil”, acrescentou. “Somos viciados em patrimônio histórico. Recuperar edifícios abandonados e dar-lhes nova vida é algo que nos motiva e que cria valor para as cidades.”
Pipeline robusto até 2028
O grupo já trabalha em um novo ciclo de expansão que envolve até sete hotéis no Brasil, com inaugurações previstas entre 2027 e 2028. O plano combina recuperação urbana, projetos de lazer e empreendimentos de grande porte.
Em São Luís, o Vila Galé está recuperando três prédios históricos para abrir dois hotéis. Um terá como tema a música e a ópera; o outro, a poesia. “São projetos muito bonitos, com forte ligação cultural. Já começámos as obras e queremos acelerar agora em 2026”, disse o executivo. O investimento estimado é de R$ 180 milhões.

Em Coruripe, a cerca de 60 quilômetros ao sul de Maceió, o grupo prepara dois hotéis lado a lado. Um deles será voltado ao público infantil, inspirado em um modelo já testado em Portugal. “É um hotel onde as crianças mandam. Só entram adultos acompanhados de crianças”, brincou Almeida. O aporte estimado é de R$ 220 milhões.
Já na cidade mineira de Brumadinho, o projeto já foi protocolado na prefeitura e prevê 312 quartos, além de spa e centro de convenções. “Vai ser um resort completo, não é na praia, mas tem um ativo único ao lado, que é o Inhotim. Aquele parque é um dos grandes tesouros culturais do Brasil”, afirmou.
Em Florianópolis, o Vila Galé prepara um hotel de grande porte no parque tecnológico Sapiens, próximo a Jurerê. “É uma parceria com o governo do Estado. Ali é o vale do silício catarinense, um polo de tecnologia que combina muito bem com turismo e eventos”, explicou. A unidade deve ter cerca de 300 quartos.

Investimentos podem chegar a R$ 1 bilhão
Somando os projetos em andamento e os previstos, a Vila Galé trabalha com uma estimativa global de investimento que pode chegar a R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão até 2028. “Não são contas fechadas, é uma estimativa. Os custos no Brasil estão a subir muito, mas a ordem de grandeza é essa”, disse o CEO.
O cronograma prevê que parte relevante dos hotéis seja inaugurada até julho de 2027, com a segunda fase entrando em operação até julho de 2028. “A ideia é que os hotéis que abrirem primeiro já ajudem a gerar caixa para o ciclo seguinte”, explicou.
Selic alta não muda a estratégia
Sobre o impacto da Selic elevada, o megaempresário português afirmou que juros altos não favorecem investimentos produtivos, mas reforçou a convicção no turismo. “Um hotel não se leva às costas para outro país. Ele fica, gera emprego, gera riqueza local. Isso é muito diferente de investimento puramente financeiro”, afirmou. Para ele, o Brasil deveria apostar mais no setor. “O turismo é a indústria da paz, sem chaminé. Se for bem feito, gera desenvolvimento e deixa um legado duradouro”, garantiu.
