Os planos do catarinense que planeja transformar o drift em um espetáculo de UFC

Projeto idealizado pelo ex-piloto Jonathan Neves aposta em capital privado, patrocínios e narrativa audiovisual para transformar a corrida de carro em um produto premium de entretenimento, com ambição de escala global

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Imagens: Divulgação

Jonathan Neves, criador do Desafio Jota Racing, esperar criar o UFC do drift

Jonathan Neves, criador do Desafio Jota Racing, esperar criar o UFC do drift

Quando decidiu tirar do papel o Desafio Jota Racing, Jonathan Neves não estava interessado apenas em organizar mais um evento esportivo. A ideia, desde o início, foi construir uma marca de entretenimento com ambição internacional, capaz de unir competição, narrativa audiovisual e um modelo de negócios sustentável, baseado quase exclusivamente em capital privado e patrocínios.

A largada do projeto foi dada com recursos próprios. “Foi 100% investimento privado meu. Dinheiro que eu coloquei para dar start no desafio e na marca que a gente está criando”, afirmou o empresário, ao BRAZIL ECONOMY. O aporte inicial girou em torno de R$ 5 milhões, valor que, segundo ele, só foi suficiente porque o evento nasceu cercado de parcerias estratégicas. No mercado, uma estrutura desse porte poderia facilmente custar três vezes mais. “Esse evento deveria custar uns R$ 15 milhões”, disse Neves.

A diferença foi compensada por fornecedores que aceitaram operar com descontos expressivos por acreditarem no conceito. Entre eles, equipes técnicas com experiência em grandes produções audiovisuais, responsáveis por registrar o Desafio Jota Racing com padrão cinematográfico. “A gente trouxe equipes que gravaram o Velociraptor aqui no Brasil e o seriado Senna. Os caras fizeram 30% da tabela porque acreditam no projeto”, acrescentou.

Neves afirma que seus eventos de drift têm potencia de público de 60 mil pessoas
Neves afirma que seus eventos de drift têm potencia de público de 60 mil pessoas

Esse cuidado com a imagem não é detalhe. Para Jonathan Neves, dono de uma empresa de logística em Santa Catarina, especializado em distribuição de medicamentos e alimentos, o futuro do drift passa pela forma como o esporte é apresentado ao público. O evento já nasce pensado como conteúdo. “A gente já começou as gravações com câmera de cinema e tudo mais. A ideia é criar vertentes nesse nível”, afirmou. O plano inclui desde a produção de séries e realities até filmes que explorem o universo do drift como entretenimento, e não apenas como competição.

O modelo de negócios segue a mesma lógica de profissionalização. O Desafio Jota Racing foi estruturado para ser rentável a partir de patrocínios, que cobrem custos e garantem margem. “Ele é um projeto 100% remunerado por patrocínio. Com o patrocínio eu rentabilizo tudo, consigo ter margem e deixo a bilheteria 100% para o evento”, explica. A partir daí, entram receitas adicionais, como produtos licenciados, ativações de marca e experiências exclusivas.

A ambição vai além do evento em si. Neves enxerga o drift como um território ainda pouco explorado do ponto de vista de marca. “O que era o UFC há 20 anos? Briga de rua. Hoje existe um buraco no drift que é exatamente a mesma coisa”, comparou. A referência não é casual. Ao lembrar que o UFC foi vendido por cerca de US$ 4 bilhões, o empresário reforça o potencial econômico de um esporte quando bem estruturado, narrado e transformado em espetáculo.

A primeira edição do Desafio Jota Racing, em Balneário Camboriú, reuniu cerca de 5,5 mil pessoas, mas a projeção de crescimento é agressiva. “O potencial é 60 mil”, disse Neves. Nesse patamar, apenas a bilheteria, somada à venda de produtos e experiências dentro do evento, já representaria um faturamento relevante, independentemente dos contratos de patrocínio.

Outro ponto central da estratégia é o perfil dos parceiros comerciais. Embora o automóvel esteja no centro da experiência, o evento não se limita a marcas do setor. “Montadoras, óleo, combustível fazem sentido, mas também bebida, restaurantes, música, entretenimento. Até banco”, afirmou. Para ele, o Desafio Jota Racing é um produto premium, comparável a uma grande estreia no cinema. “É como se a galera estivesse indo ver um filme. Não tem mais limitação de público”, resume.

Realizado em Santa Catarina por razões de identificação financeira, o evento não conta com incentivos fiscais ou apoio governamental. A escolha pelo capital privado foi consciente. “Eu acredito que existam caminhos públicos, mas são muito burocráticos e difíceis. Hoje eu acredito muito mais no privado, tanto que botei do meu próprio para dar sequência”, afirmou.

Fora das pistas, Jonathan Neves construiu sua trajetória empresarial em outros setores. Ele é sócio de empresas que combinam logística e marketing voltados a um nicho específico do setor logístico, com operações em Santa Catarina e no Paraná, além de investimentos em restaurantes. Nos últimos anos, passou a direcionar atenção crescente ao entretenimento e ao audiovisual, áreas que, em sua visão, dialogam diretamente com o projeto do Desafio Jota Racing. “Hoje eu tenho muito tato para fazer essas coisas. Filme é um excelente investimento de negócios, se o cara souber administrar e fazer correto”, disse.

O Desafio Jota Racing, portanto, nasce como mais do que um evento de drift. É a aposta de Neves em um novo tipo de produto de entretenimento esportivo, pensado desde a origem para escalar, gerar conteúdo e dialogar com marcas globais. Um projeto que tenta provar que, com narrativa, capital privado e visão de longo prazo, o esporte pode ir muito além da pista.

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