Herdeiros reestruturam o Bahamas com delivery, shows e gastronomia sofisticada

Reforma liderada pelos filhos de Oscar Maroni aposta em diversificação de receitas, profissionalização e novas experiências para crescer 50% em 2026

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Imagens: Divulgação

Os irmãos Aruã e Aratã Maroni (à dir.) implementam uma reformulação no modelo de negócio da casa

Os irmãos Aruã e Aratã Maroni (à dir.) implementam uma reformulação no modelo de negócio da casa

Por mais de três décadas, o Bahamas Hotel Club construiu uma reputação singular na noite paulistana. Fundado pelo excêntrico Oscar Maroni, o clube virou referência em entretenimento adulto de alto padrão, atravessando mudanças econômicas, culturais e comportamentais sem perder a lotação. Agora, sob o comando da segunda geração da família, o negócio passa por sua transformação mais profunda. À frente da operação está Aratã Maroni, um dos quatro filhos do empresário, morto no final de 2025, que conduz um reposicionamento estratégico com uma meta ambiciosa: crescer 50% em 2026. Seus irmãos Aruã e Acauã também participam da gestão. Apenas a irmã Aritana atua em outros negócios. Os nomes foram inspirados na novela Aritana, da antiga TV Tupi, com nomes de origem indígena que significam guerreiro e poder.

“O Bahamas vai deixar de ser uma casa de sexo para ser um parque de entretenimento, cultura musical e gastronomia”, afirmou Maroni, em entrevista ao BRAZIL ECONOMY. “Meu pai não aprovaria várias das mudanças que estão sendo implementadas, mas aplaudiria o resultado que toda essa mudança vai trazer.”

A preparação para essa virada no modelo de negócio começou há cerca de dois anos, período em que Aratã assumiu integralmente a liderança após o agravamento do quadro de saúde do pai e, posteriormente, sua morte. A transição, segundo ele, exigiu mais do que manter o legado. “A marca sempre foi muito forte. O meu maior receio era que ela fosse impactada nesse processo. Felizmente, isso não aconteceu. O Bahamas continuou sendo referência, o que nos deu base para mudar”, afirmou.

A primeira grande decisão foi atacar a estrutura interna. O modelo anterior, altamente centralizado nas decisões de Oscar Maroni, deu lugar a uma gestão mais profissional, com descentralização de decisões, criação de lideranças intermediárias, automação de processos administrativos e adoção mais intensiva de tecnologia. Hoje, o Bahamas opera com cerca de 38 funcionários fixos, além de centenas de prestadores de serviço, em uma estrutura considerada mais enxuta e eficiente.

Essa reorganização abriu espaço para uma revisão completa da estratégia de marketing e posicionamento. A comunicação deixou de ser genérica e passou a mirar um público mais seleto, disposto a pagar mais por uma experiência diferenciada. O resultado foi um reposicionamento claro: menos volume, mais valor. O tíquete médio, que no passado girava em patamares significativamente mais baixos, próximos a R$ 250, hoje está em torno de R$ 600 por cliente em uma noite.

Complexo de experiências

A mudança mais visível, porém, está no core business do negócio. O Bahamas deixou de operar apenas como uma casa noturna tradicional para se transformar em um espaço multifuncional, que se adapta ao longo do dia, segundo Aratã. O clube agora abre para almoço, ganha movimento no happy hour, recebe eventos esportivos no início da noite e, na madrugada, assume sua vocação histórica, integrada a shows musicais e atrações variadas.

“O cliente pode almoçar com um parceiro de negócios, fechar um contrato à tarde e voltar à noite para comemorar no mesmo lugar. A ideia é criar uma jornada completa”, explicou Aratã. Essa lógica amplia o tempo de permanência e permite disputar públicos distintos em diferentes horários: restaurantes no almoço, bares e espaços de lazer à tarde, casas de show e entretenimento à noite.

Para sustentar essa estratégia, a empresa investiu R$ 3 milhões no ano passado. Os recursos foram destinados principalmente à reforma do subsolo, área mais ligada à operação noturna, e à reestruturação do térreo, que passa a concentrar o restaurante e o bar esportivo. O cardápio foi revisto, com foco em melhor execução, produtos mais refinados e alinhamento com a experiência, sem a pretensão de competir com a alta gastronomia.

Shows como motor de crescimento

Um dos pilares do novo Bahamas é a agenda de shows. Diferentemente do passado, quando a música tinha papel secundário, hoje as apresentações ao vivo são vistas como um dos principais vetores de atração e fidelização. Duplas sertanejas, bandas e atrações especiais passaram a integrar a programação, elevando a percepção de valor e ampliando o público. Não chega a ser um ambiente familiar, mas se adapta a um público que não busca apenas uma companhia eventual.

Os shows também ajudam a capitalizar momentos específicos do calendário paulistano. Grandes feiras internacionais, eventos corporativos, Fórmula 1 e datas de forte fluxo turístico são tratados como doses de tadalafila dos lucros, com verdadeiros picos de demanda e casa superlotada. O aumento do turismo internacional, impulsionado pelo câmbio favorável, já se reflete no perfil dos frequentadores, especialmente em períodos de grandes eventos, segundo Aratã.

Ganha o pão e come a carne

Outra frente estratégica é a expansão da marca para fora do clube. O lançamento do Bahamas Burger Club marca a entrada do grupo no delivery premium (de lanches!). A proposta é levar a essência do Bahamas para dentro da casa dos clientes, com hambúrgueres artesanais, receitas autorais e embalagens pensadas como parte da experiência.

Mais do que uma nova linha de receita, o delivery é visto como uma ferramenta de branding. “Queremos que as pessoas conheçam o Bahamas mesmo sem estar fisicamente aqui. É uma forma de ampliar o alcance da marca e dialogar com novos públicos”, afirmou Aratã. No médio prazo, a nova gestão estuda outras iniciativas ligadas à gastronomia e ao lifestyle, como uma hamburgueria física e participação em eventos do setor.

Olhando para 2026, o cenário é visto como especialmente promissor. O calendário reúne Copa do Mundo, eleições, maior número de feriados prolongados e uma agenda intensa de eventos em São Paulo. Para o Bahamas, isso significa mais oportunidades de ativação, maior previsibilidade de fluxo e aumento da média diária de faturamento.

A meta de crescer 50% é assumidamente agressiva, mas, segundo Aratã, está ancorada em mudanças estruturais já implementadas. “Não é um crescimento baseado em um único fator. Ele vem da soma de shows, eventos, operação em múltiplos turnos e expansão da marca para novos canais”, disse.

Mesmo sem Oscar Maroni, o Bahamas entra em uma nova fase sem romper com sua história, segundo o filho herdeiro. “O legado de meu pai permanece como referência, mas a lógica agora é outra, com menos improviso, mais método, menos dependência de um único formato e mais diversificação”, garantiu Aratã. Gostem ou não, o Bahamas vive uma transição geracional que reposiciona o negócio para crescer em um mercado mais competitivo, sofisticado e orientado à experiência.

 

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