Depois da maior aquisição de sua história, no início de 2024, ao comprar a GRSA, de catering e alimentação corporativa, o Grupo GPS dedicou o ano passado à integração dos processos das empresas. Afinal, foi um grande movimento que adicionou R$ 3,3 bilhões em receita à líder do setor de facilities no Brasil. Ainda houve pequenos M&As, com a incorporação da RHMed, da Nutricar e da Tagg, que somaram mais R$ 412 milhões ao faturamento do Grupo GPS. Mas agora, em 2026, a companhia volta com tudo ao mercado, com fome de novas grandes aquisições, que devem agregar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,5 bilhões à receita do grupo, que no ano passado registrou R$ 14,8 bilhões.
Os resultados do terceiro trimestre de 2025 e de todo o ano passado ainda serão divulgados, mas a expectativa de analistas é de que sejam de aproximadamente R$ 18 bilhões, cerca de 20% maiores do que no ano anterior.
“Voltamos para aquele objetivo histórico, de comprar um total de empresas que somem entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,5 bilhões de receita bruta no ano. Provavelmente, esse montante somado vai ser de várias empresas pequenas e médias”, disse ao BRAZIL ECONOMY Marita Bernhoeft, diretora de Governança e Relações com Investidores do Grupo GPS.
A companhia mantém os dois modelos de crescimento, orgânico e inorgânico, ativos da mesma maneira. Por um lado, a aquisição de novos clientes para engordar a carteira de 4.774 clientes atuais. Por outro, aquisições de empresas, que, desde o IPO do Grupo GPS, em 2021, totalizam 26 compras.
Essas iniciativas tornaram a corporação, com mais de 60 anos de história, uma das mais robustas do País, com 190 mil colaboradores diretos em seis áreas de atuação: facilities, responsável por 24% da receita; alimentação (22%); manutenção e serviços industriais (19%); segurança (19%); mão de obra terceirizada e field marketing (7%); e logística indoor (6%).
Entre os clientes estão grandes empresas como a Petrobras, com o fornecimento de alimentação para operações offshore, além do fornecimento de profissionais treinados para trabalhar com marcas de produtos eletrônicos em pontos de venda.
Marita Bernhoeft preferiu não detalhar quais dos pilares serão reforçados com aquisições ou se novas frentes de negócios serão abertas. Alta intensidade de trabalho (e não de ativos), receita recorrente (sem dependência de capex) e possibilidade de gestão por contrato (e não por projeto) são algumas das características que o Grupo GPS busca nas empresas elegíveis para compra.
Outro ponto importante é que a atuação da empresa a ser adquirida precisa ser qualificada para ser oferecida à própria base de clientes. Afinal, são quase 5.000 empresas endereçáveis dentro de casa.
“Temos mais de 50% da nossa receita oriunda de clientes da indústria. Quando agregamos serviços, conseguimos vender para eles. Fazemos esse cross-sell”, disse a diretora do Grupo GPS.
Ao adquirir empresas, a companhia também implementa sua filosofia de eficiência operacional, amplificação de convergências administrativas (RH, financeiro e jurídico) e reavaliação de fornecedores para a melhoria das margens.
Modelo de gerenciamento de contrato
Um dos segredos dessa estruturação, que garante ritmo de crescimento com rentabilidade, é a figura do gerente de contrato. “Temos um profissional que, obviamente, vai estar ali na linha da operação, preocupado com as questões operacionais, mas que também estará atento aos resultados”, disse Marita. “Trabalhamos com um sistema que apoia esse colaborador, permitindo uma visão de resultado por contrato.”
Esse é justamente um dos pontos positivos destacados em relatório do Itaú BBA sobre o Grupo GPS, do dia 20 de janeiro, assinado pelos analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo.
“Os cerca de 190 mil funcionários do grupo não foram considerados um risco, com a gestão enfatizando que a criação de valor está concentrada em aproximadamente 2 mil líderes-chave e gerentes de contratos”, aponta o documento, ao ressaltar que “a rotatividade de liderança permanece próxima de zero, o que é visto como uma vantagem competitiva crucial em um negócio com uso intensivo de mão de obra”.
O relatório ainda observa que os cargos de diretoria são vistos como o ponto natural de expansão, enquanto a liderança executiva permanece intencionalmente enxuta. “O objetivo é manter a liderança próxima às operações e aos clientes, preservando a agilidade e a responsabilidade à medida que a empresa continua a crescer.”
Como desafio, o relatório ressalta a reforma tributária, iniciada neste ano, a qual deve levar o Grupo GPS a renegociar contratos, embora as cláusulas de repasse automático já estejam incorporadas.
