Flixbus inicia operação própria em 40 cidades e pede autorização à ANTT para outras 379

Empresa alemã de viagens rodoviárias desvia de obstáculos do setor e inicia um de seus maiores movimentos de expansão após cinco anos de atuação no Brasil

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Imagens: Divulgação

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A Flixbus inicia seu maior movimento desde que chegou ao Brasil, cinco anos atrás. A companhia alemã de transporte rodoviário começou a operar oito linhas próprias, que atendem cerca de 40 cidades. Até então, a companhia trabalhava apenas com operadores parceiros, modelo que vai seguir em funcionamento. Além disso, a empresa solicitou à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que abriu uma janela extraordinária para novos trechos em todo o País, mais 80 linhas que atuam em 379 cidades, de 18 Estados. Ainda não há data prevista para saírem as autorizações. Quando ocorrer – e se ocorrer -, o Brasil será um dos maiores mercados da companhia no mundo.

A autorização para operar as novas linhas foi obtida por via judicial. A Flixbus vem travando, ao longo dos anos, uma disputa com a ANTT, que questiona o modelo de negócio da empresa, de atuar por meio de parcerias e praticar tarifas mais baixas do que a média do mercado.

Empresas tradicionais de transporte rodoviário, que perdem espaço para a Flixbus, atuam nos bastidores para pressionar mudanças no sistema e diminuir a atuação da corporação alemã, que tem desviado dos obstáculos e seguido na estrada com o pé no acelerador. Segundo a empresa alemã, os processos são todos avalizados pela ANTT.

Edson Lopes, CEO da Flixbus no Brasil: projeto de longo prazo
Edson Lopes, CEO da Flixbus no Brasil: projeto de longo prazo

O projeto brasileiro contempla um investimento de R$ 1 bilhão, que vem sendo aplicado no País desde 2020. Cerca de R$ 600 milhões já foram aportados. O restante tem sido colocado aos poucos neste momento, inclusive nessas linhas próprias e em futuras ações nos próximos anos.

“Iniciamos essas novas linhas e estamos avaliando os resultados. Nosso projeto é de longo prazo. Vamos continuar avançando no País, que é um dos principais mercados de transporte rodoviário do mundo”, disse ao BRAZIL ECONOMY Edson Lopes, CEO da Flixbus no Brasil.

“Agora somos responsáveis por todos os processos, desde a formulação dos trajetos, da venda dos bilhetes, até os problemas que podem ocorrer na estrada. Para nós é bom trazer essa responsabilidade porque, modéstia à parte, nós somos bons em resolver problemas”, afirmou o executivo.

“É bom para a gente, é bom para o passageiro, é bom para as autoridades”, completou, ao observar que, neste primeiro momento, a operação própria ainda não será rentável, pois estão sendo injetados investimentos. Com a operação azeitada, a expectativa é de que as margens sejam mais positivas.

Novos trechos
Dentre as novas linhas operadas pela Flixbus está o trecho São Paulo–Penha (SC), onde está o parque temático Beto Carrero World. Também há ligação de cidades do ABC Paulista a Angra dos Reis e Paraty, municípios do Rio de Janeiro.

Há ainda linha que conecta o Rio de Janeiro a Cariacica, na Grande Vitória (ES), que também está ligada a Salvador (BA). São Paulo–Juiz de Fora (MG) é outro itinerário.

Infraestrutura e mão de obra

Com atuação em diversos Estados, com condições de rodovias de diferentes qualidades, a Flixbus avalia que, na última década, a infraestrutura tem melhorado.

“Essa é uma das poucas coisas isonômicas do setor: a condição das estradas. Nesse aspecto, as empresas dão as mãos para reclamar. Mas é o mesmo jogo para todo mundo. E tem melhorado”, disse Edson Lopes. As condições mais adversas da companhia estão mesmo nos bastidores, onde encara disputas judiciais e de narrativas.

Já sobre o desafio da contratação de mão de obra, enfrentado por diversos outros setores econômicos, o CEO da Flixbus Brasil disse que há problemas pontuais, em datas específicas, como Natal e Ano Novo, em que há aumento da oferta de viagens.

“Temos um mercado que requer mão de obra especializada, de motoristas e mecânicos, por exemplo. Em algum momento pode haver maiores ofertas salariais. Mas a falta de profissionais não é algo que preocupe”, disse o executivo, que tem traçada a rota de expansão da Flixbus no País. O pé está no acelerador.

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