Em “ciclo de crescimento agressivo”, LG projeta aumentar receita em 27% em dois anos

Fabricante de eletroeletrônicos sul-coreana também planeja mais do que dobrar o faturamento dos negócios B2B no País. Construção de fábrica de linha branca e Copa do Mundo geram otimismo

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Imagens: Divulgação

Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG Brasil

Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG Brasil

Enquanto boa parte do mercado olha para 2026 com desconfiança, diante de juros elevados (15% ao ano), eleição presidencial em outubro e o início de novas regras tributárias, a LG Brasil projeta um “ciclo de crescimento agressivo”. A avaliação foi apresentada pela fabricante sul-coreana de eletroeletrônicos nesta terça-feira (6), em evento realizado no LG Business Solutions Center, um showroom de soluções da marca no bairro da Água Branca, em São Paulo.

A atividade ocorreu paralelamente à participação da LG na CES (Consumer Electronics Show) 2026, a maior feira anual de eletrônicos de consumo do mundo, realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos. Na CES, a companhia mostrou lançamentos e tendências. Por aqui, o BRAZIL ECONOMY abordou com Rodrigo Fiani, vice-presidente de Vendas da LG Brasil, o plano de negócios da companhia para o País.

“Vamos crescer 12% neste ano e, no ano que vem, mais 15%. Estamos falando de praticamente 30% de crescimento em dois anos. Isso mostra o quanto acreditamos no País. Estamos investindo”, disse o executivo.

O otimismo da companhia decorre de iniciativas implementadas em 2025, que prepararam o terreno para esse ciclo de desenvolvimento ao longo de 24 meses, superior à média registrada em anos anteriores.

Em primeiro lugar, a LG ajustou os ponteiros de algumas linhas de negócios no mercado brasileiro que estavam desalinhadas. É o caso da divisão de televisores, que, após um redesenho da operação, alcançou 20% de market share. O resultado veio da calibragem do mix de produtos e do reingresso na categoria de TVs de entrada, como os modelos de 32 e 43 polegadas, que representam cerca de 50% do mercado nacional.

O trabalho junto às redes varejistas, mais como parceira do que apenas como uma relação comercial tradicional, foi outro avanço registrado no ano passado. Também em 2025, a LG avançou com um de seus principais projetos no Brasil em seus 30 anos de história no País, completados neste ano: a construção de uma nova fábrica de linha branca na cidade de Fazenda Rio Grande, no Paraná.

O investimento é de R$ 1,5 bilhão. A inauguração está programada para julho, mas, pelo ritmo avançado das obras, pode ser antecipada. “Vamos fazer 25 lançamentos logo de início”, ressaltou Fiani.

Entre as características dos produtos estão modelos bivolt e de perfil premium. Em refrigeradores, bandejas maiores de gelo e espaços fixos para ovos são alguns dos itens que evidenciam a tropicalização em relação a produtos fabricados em outras plantas da companhia no mundo. “Estudamos bem o mercado e o consumidor brasileiro”, afirmou o vice-presidente.

No plano de metas da LG está atingir 10% de participação nos mercados de geladeiras, fogões e máquinas de lavar ainda em 2026, subir para 20% em 2027 e alcançar entre 25% e 30% em 2028. O avanço pode render à LG a segunda posição em um setor dominado pela Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul.

“Já temos organizada toda a cadeia de produção, logística, fornecedores e pós-venda para entrar forte em um setor complexo”, afirmou o executivo.

B2B e Copa do Mundo

Entre os fatores que reforçam o otimismo da LG para 2026 está a realização da Copa do Mundo de futebol, entre junho e julho. A expectativa é de que as vendas de televisores sejam relevantes, como tradicionalmente ocorre a cada quatro anos, impulsionadas pelo evento esportivo.

“Vamos crescer 30% nas vendas de TVs neste ano em relação ao ano passado”, pontuou Fiani. Mas não é só isso. A LG também observa o contexto mais amplo que envolve a competição.

As pessoas assistem aos jogos em casa, com a família, ou em bares e restaurantes com amigos. Isso aquece também a comercialização de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, equipamentos de áudio e outros produtos.

No planejamento da LG para o médio e longo prazos, o segmento B2B se destaca com a meta de mais do que dobrar até 2030. Atualmente, os negócios da companhia com outras empresas — especialmente em telas profissionais e ar-condicionado — representam cerca de 20% do faturamento no Brasil. “Queremos chegar a 50% da receita no B2B”, salientou Fiani, ao observar que, obviamente, o varejo B2C não será deixado de lado, como demonstram os investimentos da marca no País.

No segmento de ar-condicionado, cerca de 40% dos prédios comerciais no Brasil contam com o equipamento. “É um percentual baixo, especialmente se considerarmos que essa concentração está em grandes centros, como São Paulo. Em outras regiões, mercados, farmácias, prédios e diversos estabelecimentos ainda não possuem”, analisou o vice-presidente. Ele também mira o desenvolvimento de data centers no País, que exigem ambientes refrigerados. “São projetos específicos, que demandam equipamentos adequados e para os quais estamos atentos.”

Em telas, as oportunidades B2B estão principalmente no varejo, segundo Fiani. Além das aplicações tradicionais em salas de reunião e displays informativos, há uma vertente de retail media que vem sendo explorada de forma mais intensa pelos lojistas.

Nesse nicho, além das telas, a LG oferece serviços de inteligência embarcada para avaliar o perfil do público e, a partir disso, gerar publicidade personalizada, no momento certo, para as pessoas certas. “Isso tem um potencial de crescimento muito grande”, avaliou o executivo.

O Brasil é um dos cinco maiores mercados da LG no mundo. Em algumas categorias, chega a ser o segundo país mais relevante para a fabricante, que globalmente faturou US$ 45,2 bilhões de janeiro a setembro de 2025, pouco acima dos US$ 44,9 bilhões registrados no mesmo período de 2024. Com os negócios em expansão, a operação brasileira se torna cada vez mais estratégica para a matriz sul-coreana.

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