Depois dos carros elétricos, BYD aposta em trens urbanos para dominar a mobilidade

A chegada do monotrilho da Linha 17-Ouro ao Aeroporto de Congonhas marca um avanço decisivo na integração do transporte público paulistano, com tecnologia a bateria, operação automatizada e foco em mobilidade sustentável

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Imagens: Divulgação

Com 6,7 km de extensão, a Linha 17-Ouro será responsável por conectar Congonhas às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda

Com 6,7 km de extensão, a Linha 17-Ouro será responsável por conectar Congonhas às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda

O último domingo, 11, entrou para o cronograma da mobilidade urbana de São Paulo como um dia simbólico. Pela primeira vez, um trem do sistema BYD SkyRail percorreu o trajeto completo até o Aeroporto de Congonhas, antecipando na prática o que promete ser uma das conexões mais estratégicas do transporte público da capital. Mais do que um simples teste técnico, o deslocamento representou um passo concreto rumo à integração definitiva do aeroporto à malha metroferroviária paulistana.

O percurso foi realizado integralmente com energia armazenada em baterias, sem qualquer alimentação externa por trilho energizado. Esse detalhe técnico resume a proposta do SkyRail: um sistema de monotrilho suspenso do tipo straddle que aposta em eficiência energética, menor interferência urbana e operação silenciosa. Em uma cidade marcada por obras complexas e impacto constante no entorno, a solução se destaca justamente pela leveza da infraestrutura e pela flexibilidade operacional.

Para a BYD, o momento simboliza a maturidade da tecnologia no Brasil. “A chegada do trem da Linha 17-Ouro ao Aeroporto de Congonhas materializa o compromisso da companhia com soluções inovadoras de mobilidade urbana”, afirmou Alexandre Barbosa, diretor da BYD SkyRail no País. Segundo ele, os trens totalmente automatizados e equipados com baterias recarregáveis permitem operação autônoma inclusive em situações críticas, posicionando São Paulo entre as cidades pioneiras da América Latina na adoção desse tipo de sistema.

Atualmente, oito composições do SkyRail já estão em território brasileiro, enquanto uma nova unidade segue a caminho, vinda da China. As demais estão em fase final de produção. O projeto prevê uma frota total de 14 trens, cada um com cinco vagões, capazes de transportar até 100 mil passageiros por dia. Cada composição conta com 114 assentos e capacidade total para até 616 passageiros, incluindo áreas destinadas à acessibilidade.

O calendário da obra também avança de forma alinhada ao planejamento oficial. A partir de março, o Governo do Estado de São Paulo prevê o início da operação assistida, já com passageiros a bordo. A estreia comercial da linha está programada para o segundo semestre de 2026, encerrando uma espera que se estende por mais de uma década.

Com 6,7 quilômetros de extensão, a Linha 17-Ouro será responsável por conectar Congonhas às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda, operadas pela ViaMobilidade. Na primeira fase, estão previstas oito estações (Morumbi, Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo, Vereador José Diniz, Brooklin Paulista, Aeroporto de Congonhas e Washington Luís) reforçando a integração do transporte público na zona sul da cidade.

Os trens operam em sistema UTO, sem operador a bordo, e utilizam tecnologia CBTC, que permite reduzir o intervalo entre as composições e aumentar a eficiência e a segurança da operação. Janelas panorâmicas, velocidade de até 80 km/h, baterias para emergências e sistemas de ventilação natural completam a experiência, pensada para oferecer mais conforto ao passageiro urbano.

Em escala global, a BYD vem consolidando sua posição como uma das líderes mundiais na eletrificação do transporte. A aposta em sistemas como o SkyRail reflete a visão da companhia de que o transporte elétrico será um dos principais vetores de descarbonização das cidades nas próximas décadas. Mais silencioso, menos poluente e com custos competitivos em relação a outras tecnologias sobre trilhos, o monotrilho surge como uma alternativa pragmática para metrópoles que precisam expandir a mobilidade sem ampliar congestionamentos e emissões.

A primeira viagem até Congonhas, ainda em caráter técnico, antecipa o impacto que a Linha 17-Ouro deve provocar no dia a dia da cidade. Quando entrar em operação, o sistema promete transformar a relação do paulistano com um dos aeroportos mais movimentados do país e reforçar a ideia de que inovação e sustentabilidade já deixaram de ser discurso para se tornar trilhos concretos na paisagem urbana.

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