Com os limites do cartão de crédito cada vez mais comprometidos e regras mais rígidas para a concessão de novos financiamentos, consumidores brasileiros voltam a recorrer ao crediário e ao empréstimo pessoal no ponto de venda como alternativa para parcelar compras no varejo. O movimento ocorre em um cenário de juros elevados e maior seletividade do sistema bancário, que tem restringido o acesso ao crédito tradicional.
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) indica que 68,7 milhões de brasileiros mantinham contas parceladas no país. Os dados refletem uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a buscar modalidades de financiamento com maior previsibilidade e controle sobre o orçamento, especialmente para a aquisição de bens de maior valor.
Esse cenário é percebido diretamente pela Top One Financeira, empresa especializada em operações de crediário (CDC) e empréstimo pessoal (EP). A companhia projeta crescimento de 25% na demanda por essas modalidades em 2026, após ter analisado mais de R$ 2,5 bilhões em solicitações de crédito desde a sua criação. Segundo a empresa, o avanço está relacionado à busca por prazos definidos e parcelas fixas, em contraste com a volatilidade das faturas do cartão de crédito.
“O crédito continua disponível, mas está sendo utilizado de forma mais criteriosa. Com juros altos e renda pressionada, o consumidor passou a avaliar melhor o impacto das parcelas no médio e no longo prazo. Nesse contexto, o crediário e o empréstimo pessoal ganham espaço por oferecerem contratos claros, prazos definidos e maior previsibilidade financeira”, disse Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira.
Ao contrário do cartão de crédito, que concentra diferentes despesas em uma única fatura e pode gerar um efeito cumulativo em caso de atraso, o crediário funciona com parcelas individualizadas e custo total previamente conhecido. Esse modelo permite ao consumidor visualizar desde o início o valor final da compra, reduzindo o risco de desorganização financeira e facilitando o planejamento em um ambiente de maior incerteza econômica.
Apesar das vantagens, especialistas alertam que essas alternativas também exigem cautela. Parcelamentos longos, quando somados a outros compromissos financeiros, podem comprometer a renda futura e aumentar o risco de inadimplência. A recomendação é que o consumidor avalie a real necessidade da compra, compare as condições oferecidas pelas diferentes modalidades de crédito e considere não apenas o valor das parcelas, mas o impacto do compromisso ao longo do tempo.
“Em um ambiente de crédito mais seletivo, a educação financeira se torna tão importante quanto o acesso ao financiamento. Não basta ter crédito disponível; é fundamental compreender como cada parcela afeta o orçamento e fazer escolhas compatíveis com a realidade financeira”, afirmou Vanderley.
