SYN reposiciona lajes corporativas com foco em experiências e serviços de hotelaria

Antiga Cyrela Commercial Properties, empresa leva expertise em marketing e experiência do cliente para prédios comerciais, buscando elevar o tíquete médio e fidelizar inquilinos como Amazon e Netflix

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Imagens: Divulgação / Thiago Xavier

JK Torre E, em São Paulo, é um dos empreendimentos Triple A da SYN

JK Torre E, em São Paulo, é um dos empreendimentos Triple A da SYN

Uma das principais empresas de investimentos, locação e venda de propriedades comerciais do país, a SYN adota um novo movimento para se aproximar dos locatários de suas lajes corporativas. A ideia é entender melhor suas demandas e criar serviços de hotelaria, concierge e retail media, a exemplo do que já faz com seus shopping centers. Trata-se de um trabalho com potencial de gerar frutos a médio e longo prazos, incrementando a receita da companhia — que, no ano passado, foi de R$ 996,3 milhões (impulsionada pela alienação de frações de imóveis), com lucro de R$ 546,3 milhões. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento — em patamar mais realista — foi de R$ 57,7 milhões, com lucro de R$ 18,7 milhões, alta de 179,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na ponta do processo, a SYN busca cativar os atuais clientes, atrair novos e aumentar o tíquete médio das locações.

Peça-chave dessa estratégia é a mudança de função de Ricardo Loducca, que era diretor executivo de marketing e vendas dos shoppings do grupo SYN e, recentemente, assumiu também a gestão dos prédios comerciais, com o objetivo de promover sinergias e diversificar receitas.

“Estamos bastante focados em melhorar os ativos e disponibilizar melhores serviços. O caminho é oferecer, nos edifícios corporativos, aquilo que já temos de bom nos shoppings”, disse Loducca ao BRAZIL ECONOMY.

Ricardo Loducca, diretor executivo de shoppings e prédios comerciais da SYN
Ricardo Loducca, diretor executivo de shoppings e prédios comerciais da SYN

O executivo tem realizado reuniões com os locatários para identificar as dores e definir o perfil de cada prédio. “A partir desse trabalho, vamos estruturar uma estratégia bem definida para cada um deles, com um plano de negócios específico e uma vocação clara para cada ativo”, afirmou.

O desafio é se aproximar dos inquilinos corporativos, tradicionalmente distantes dos locadores. Muitas vezes, quem se comunica com o proprietário são representantes das empresas, e não os executivos diretamente envolvidos no uso do espaço.
É o oposto do que ocorre nos shoppings, onde a relação tende a ser mais aberta, dinâmica e frequente. Encontros como cafés e almoços com os locatários são constantes.

“Queremos ser cada vez mais parceiros e presentes para que nossos clientes também possam rentabilizar mais — e não apenas uma empresa que cuida da manutenção e cobra aluguel”, enfatizou Loducca. “A proximidade é um grande trunfo.”

A SYN, que tem entre seus principais controladores Elie Horn (fundador da Cyrela) e o advogado Leo Krakowiak, detém participação e faz a gestão de 11 edifícios corporativos, cinco shoppings e um galpão logístico em Guarulhos (SP). São 95,1 mil m² de portfólio próprio e outros 370 mil m² sob gestão, com taxa de ocupação na casa dos 95%.

Os centros comerciais administrados pela empresa são: Shopping D (São Paulo), Grand Plaza Shopping (Santo André – SP), Shopping Metropolitano Barra (Rio de Janeiro), Tietê Plaza Shopping (São Paulo) e Shopping Cidade São Paulo (São Paulo). Nesses locais, cerca de 7 milhões de veículos estacionam anualmente em vagas também administradas pela SYN.

Entre os prédios corporativos estão empreendimentos Triple A: CEO (Barra da Tijuca – RJ), JK Torre D (São Paulo), JK Torre E (São Paulo), Faria Lima Financial Center (São Paulo), Faria Lima Square (São Paulo), JK 1455 (São Paulo) e Miss Silvia Morizono (São Paulo).
E os empreendimentos Classe A: Nova São Paulo (Chácara Santo Antônio – SP), Verbo Divino (Chácara Santo Antônio – SP), Leblon Corporate (Rio de Janeiro) e Birmann 10 (Chácara Santo Antônio – SP).

Ativação: show da Ludmilla, promovido pela Budweiser, agitou o público do Shopping Cidade de São Paulo
Ativação: show da Ludmilla, promovido pela Budweiser, agitou o público do Shopping Cidade São Paulo

O galpão logístico, localizado no entroncamento da Rodovia Presidente Dutra com a Rodovia Fernão Dias, está em um terreno de 233 mil m². O projeto prevê a construção de quatro naves, totalizando 129 mil m², em quatro fases distintas, com previsão de conclusão da última etapa no primeiro trimestre de 2026.
Já foram entregues 74,1 mil m² de ABL (Área Bruta Locável), o que corresponde a 57,7% do total previsto. Mais 120 mil m² estão prestes a ser entregues, praticamente todos já contratados. A demanda de empresas de comércio eletrônico é intensa — o Mercado Livre é um dos principais clientes dos galpões da SYN.

Clientes e cocriação

Entre os locatários das lajes comerciais da SYN estão empresas como Amazon e Netflix. Há também companhias de setores mais tradicionais, e mesmo com elas a intenção é compreender suas necessidades e cocriar serviços e ações personalizadas.

Desde iniciativas mais convencionais — como um bom café no térreo dos edifícios, uma adega ou restaurante sofisticado, além de um concierge ativo — até ativações de retail media.

Aliás, o marketing direto nos pontos de venda é um dos destaques dos ativos da SYN no setor de shopping centers. O Shopping Cidade São Paulo é um dos poucos do Brasil a faturar mais com retail media do que com estacionamento, por exemplo.

Shows, lançamentos de filmes e de produtos são comuns no centro de compras, cuja principal entrada de pedestres está na Avenida Paulista. O calçadão que se forma em frente ao shopping funciona como esplanada para eventos e ativações com o público.

Essa expertise é o que Cindy Beni traz na bagagem ao assumir, há seis meses, o cargo de gerente comercial da SYN. Antes disso, ela era gerente de marketing do Shopping Cidade São Paulo.

“Nos prédios corporativos, temos um perfil de público mais segmentado do que observamos nos shoppings, que têm um fluxo mais pulverizado. Nossa estratégia é desenhar um plano específico para cada ativo e oferecer conveniência e melhor infraestrutura para nossos clientes”, afirmou a executiva, alinhada à visão de Loducca.

“As companhias estão, cada vez mais, retomando o trabalho presencial. Os funcionários precisam de estímulos para sair do home office. Estamos atentos a esse movimento também”, acrescentou. “Os colaboradores podem usufruir do escritório de maneira integral — desde a chegada até a estação de trabalho.”

Para Cindy, as marcas estão em constante movimento e têm apetite, por exemplo, por ativações de live marketing e integração com canais digitais.
“Elas entendem que precisam estar no digital, mas também no físico, próximas do público. Promover experiências e fazer as pessoas vivenciarem a marca é uma tendência. Como viabilizamos isso em nossos edifícios é o desafio”, destacou a gerente.

“Por que não podemos trazer o lançamento de um carro para um prédio corporativo nosso?”, provocou. “Contamos com a criatividade das marcas e podemos pensar juntos em soluções.”

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