Depois de engraxar sapatos e entregar leite e jornal em uma pequena cidade de imigrantes alemães no interior do Rio Grande do Sul, Paulo Magnus teve seu primeiro emprego formal no setor de faturamento de um hospital, após fazer um teste quando ainda estava no Ensino Médio. Seja por destino ou aptidão – ou as duas coisas? –, ele seguiu carreira no segmento. Até que, em 1987, resolveu fundar sua própria empresa, em Porto Alegre (RS). Nascia a MV, que oferecia serviços de faturamento de contas hospitalares. Um ano depois, para fugir do frio do Sul e estar mais próximo do calor e do Carnaval do Nordeste, Magnus foi para Recife (PE), onde montou a sede administrativa da companhia. É de lá, há 37 anos, que ele comanda a operação da MV, que hoje é líder em soluções tecnológicas para a gestão da saúde e registrou receita de R$ 638 milhões em 2024. A meta é atingir R$ 1 bilhão em faturamento até 2027.
“Miramos um crescimento de 20% por ano há bastante tempo. E temos conseguido. Os últimos anos têm sido os melhores da empresa”, afirmou o fundador e CEO da MV, que atende cerca de 1.200 clientes no Brasil, entre eles quase 70% das 340 unidades de negócio da Unimed espalhadas pelo País, além dos hospitais Amaral Carvalho e 9 de Julho, em São Paulo.
Para alcançar o primeiro bilhão, a MV trabalha para entregar os novos projetos contratados no ano passado, que somaram R$ 322 milhões em vendas, integrar a operação da recém-adquirida SpinCare — empresa especializada em home care, desospitalização e transição de cuidados — e evoluir o Clinic MV, um prontuário eletrônico voltado para clínicas e profissionais de saúde.
A ferramenta passou a ser disponibilizada para compra direta. O sistema permite acesso remoto aos prontuários de pacientes de qualquer lugar, respeitando protocolos de segurança e auditoria, a partir da conexão entre pacientes, médicos, unidades de saúde, laboratórios e farmácias, facilitando o acompanhamento profissional.

Entre as soluções lançadas recentemente pela MV também está o med.ai, software que reduz tarefas administrativas e apoia a decisão clínica, garantindo mais agilidade e qualidade na consulta e no diagnóstico do paciente, segundo a empresa.
Ele é capaz de transcrever a conversa entre médico e paciente, reunindo as informações ditas e captadas por microfones, organizando-as de acordo com a natureza de cada informação (sintomas, perfil, histórico etc). Ainda sugere o código da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) e permite interação via chat, ao buscar consultas na base de dados para apoiar o profissional de saúde na tomada de decisão clínica.
Outras duas linhas de crescimento estão no foco de Paulo Magnus. Uma delas é avançar no setor público. Atualmente, apenas 20% da receita da MV vêm da área pública. “Porém, 75% da população não possui plano de saúde e é atendida em hospitais públicos. Não dá para exercer uma transformação digital, como queremos, sem mexer com o setor público”, comentou o executivo, que liderou cerca de 15 aquisições ao longo da trajetória da companhia.
A outra frente é a expansão no mercado internacional. Já atuando em 11 países, a entrada nos Estados Unidos tem sido uma obsessão. “Os Estados Unidos são incríveis. É um sonho de muita gente. Quem sabe a gente não arruma um quartinho por lá? É outro universo, outro mundo, de muita oportunidade”, disse Magnus.
O setor de saúde americano é, de fato, peculiar. As receitas ainda são passadas pelos médicos diretamente às farmácias escolhidas pelos pacientes. Em alguns casos, ainda se usa fax. E, claro, em alguma proporção, o prontuário eletrônico é utilizado. É nesse campo que a MV pretende atuar com suas soluções.
Enquanto os Estados Unidos ainda fazem parte de um plano, a realidade está no Brasil, onde alguns projetos da MV têm tido destaque.
O Hospital Geral do Grajaú, em São Paulo, é o primeiro hospital público estadual da América Latina a ganhar status de hospital digital. Administrado pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês, com atendimento 100% SUS, conquistou a certificação HIMSS Nível 6 (Healthcare Information and Management Systems Society), pelas práticas avançadas de digitalização, gestão das informações, redução do risco de perda de dados e facilitação na tomada de decisões clínicas.
A certificação foi obtida por meio de um processo de consultoria conduzido pela TechInPulse, empresa do Ecossistema MV e parceira oficial da HIMSS no Brasil. As soluções da MV, implementadas em diversas áreas do hospital, desempenharam um papel importante no atendimento aos requisitos para a conquista.