PwC Brasil critica momento para mudanças do governo no formato do CNPJ

Para consultoria global, apesar de a iniciativa ser importante, foco de adaptação das empresas no momento é para a Reforma Tributária que começará a valer em 2026

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Imagens: Divulgação

Luciana Medeiros, sócia e líder de varejo e consumo: mudança seria necessária em algum momento, mas talvez não agora

Luciana Medeiros, sócia e líder de varejo e consumo: mudança seria necessária em algum momento, mas talvez não agora

A partir de 1º de julho de 2026, o Brasil adotará um novo formato para o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), que passará a ser alfanumérico. O objetivo é ampliar a capacidade de geração de novos registros, diante da crescente demanda e da saturação do modelo atual, composto exclusivamente por números.

Embora a Reforma Tributária traga diversas transformações no sistema de arrecadação e possa atuar como catalisadora de mudanças operacionais, a adoção do CNPJ alfanumérico é uma iniciativa independente, voltada à sustentabilidade do sistema de identificação empresarial no país. E é justamente esse o ponto de crítica de executivos da PwC Brasil, uma das maiores consultorias de negócios do mundo: as empresas, neste momento, estão focadas nas adaptações exigidas para a Reforma Tributária, que passará a valer no próximo ano, e por isso não seria o momento ideal para propor uma nova mudança dessa magnitude.

“Não vemos benefício direto nessa mudança, já que as empresas terão que fazer investimentos em seus sistemas, e o momento já é de adaptação para a Reforma Tributária, onde estão investindo em novas tecnologias e processos. Todos os setores de indústrias e serviços precisam se preparar, uma vez que atuam com cadastros de fornecedores e clientes que podem ser impactados por mudanças de CNPJ”, afirmou Luciana Medeiros, sócia e líder de Varejo e Consumo.

O novo CNPJ manterá os 14 dígitos atuais, mas os 12 primeiros poderão conter uma combinação de letras (de A a Z) e números (de 0 a 9), enquanto os dois últimos continuarão sendo dígitos verificadores, calculados conforme as regras estabelecidas pela Receita Federal. Um exemplo de novo formato seria: A1.B23.4D5/678E-90. A alteração será aplicada apenas a novas inscrições a partir da data de vigência. Os CNPJs já existentes permanecerão válidos, sem necessidade de substituição ou atualização.

As possibilidades de combinações com números para gerar novos CNPJs estão se esgotando no modelo atual, como explica Luciana Medeiros: “Obviamente entendemos que essa mudança teria que vir em algum momento, até porque a Reforma Tributária exigirá um número maior de CNPJs, mas o ponto é entender como isso pode se adaptar aos tempos e movimentos em um ano em que as empresas já estão justamente se adaptando a essa reforma para o próximo ano”.

As empresas que não adequarem seus sistemas no prazo estabelecido pela Receita Federal poderão enfrentar dificuldades na emissão de notas fiscais, na geração de documentos fiscais eletrônicos e no relacionamento com clientes e fornecedores, atrasando processos administrativos e fiscais.

“Mesmo que a medida não aumente tributos, as empresas terão que mudar a maneira como pagam seus impostos, já que os cadastros são conectados com as ferramentas de cálculo e, no momento, estão parametrizados apenas para números, não para letras. Quando se muda isso, diversas conexões podem se romper em um momento em que estamos virando a chave para a Reforma Tributária. São muitas mudanças em um período muito curto de tempo, e isso pode causar uma dor de cabeça no sentido de travar as empresas”, afirmou Giancarlo Chiapinotto, sócio e líder de Consultoria Tributária em Varejo e Consumo.

Para Rodrigo de Deus, sócio e líder de Estratégia de Tecnologia, as companhias que não estiverem devidamente ajustadas às mudanças podem sofrer impacto no faturamento e no recolhimento de impostos. Além disso, ainda faltam definições importantes, como, por exemplo, se haverá necessidade de aquisição de novas tecnologias, como hardwares de captura. “Muitas empresas não estão preparadas ainda e seguem em compasso de espera para decidir qual regra será estabelecida. Temos exemplos de clientes que nem estavam cientes da mudança”, disse.

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