Sustentabilidade deixa o discurso e passa a gerar vantagem competitiva bilionária

Estudo do MIT Technology Review, divulgado com exclusividade ao BRAZIL ECONOMY, mostra que tecnologias de baixo carbono, deep techs e soluções baseadas na natureza estão atraindo cada vez mais investimentos

Jaqueline Mendes
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Imagens: Divulgação

Os aportes em deep techs ligadas à energia limpa, agricultura regenerativa e novos materiais somam US$ 60 bilhões

Os aportes em deep techs ligadas à energia limpa, agricultura regenerativa e novos materiais somam US$ 60 bilhões

A sustentabilidade deixou de ocupar um papel periférico nas estratégias corporativas e passou a integrar o núcleo das decisões de negócios. Essa é a principal conclusão do estudo Regeneração para o Futuro dos Negócios, elaborado pela MIT Technology Review em parceria com a BIP Consulting e divulgado com exclusividade ao BRAZIL ECONOMY. O levantamento revela que tecnologias de baixo carbono, deep techs e modelos regenerativos já movimentam bilhões de dólares e redesenham cadeias produtivas em escala global, apesar do cenário de acirramento dos conflitos regionais e expansão do negacionismo climático.

Um dos achados centrais do relatório diz respeito ao papel das tecnologias digitais na transição do clima. Soluções como Inteligência Artificial, automação e digitalização têm potencial para reduzir em até 4% as emissões globais de gases de efeito estufa até 2030. No campo das chamadas Nature-Based Solutions (soluções baseadas na natureza), o impacto econômico é ainda mais expressivo: os investimentos globais nesse tipo de iniciativa podem alcançar US$ 350 bilhões por ano até 2050, sinalizando uma mudança estrutural na alocação de capital em direção à regeneração ambiental.

Hudson Mendonça, vice-presidente da MIT Technology Review Brasil, afirma que o avanço da agenda regenerativa é irreversível
Hudson Mendonça, vice-presidente da MIT Technology Review Brasil, afirma que o avanço da agenda regenerativa é irreversível

O estudo também mapeia a consolidação de um ecossistema global de inovação sustentável. Atualmente, os aportes em deep techs ligadas à energia limpa, agricultura regenerativa e novos materiais somam cerca de US$ 60 bilhões. Na agricultura, os dados reforçam que sustentabilidade e produtividade não são agendas opostas: práticas regenerativas podem capturar, em média, 1,36 tonelada de CO₂ por hectare ao ano, ao mesmo tempo em que aumentam a eficiência do uso do solo.

Nesse contexto, o Brasil surge como um ator estratégico. A combinação entre uma matriz energética majoritariamente renovável, vasta biodiversidade e capacidade científica coloca o país em posição privilegiada para liderar áreas como hidrogênio verde, bioeconomia e agronegócio sustentável. Segundo o levantamento, iniciativas de inovação nessas frentes têm potencial para transformar o Brasil em um dos principais fornecedores globais de soluções de baixo carbono.

Para Hudson Mendonça, CEO do Energy Summit e vice-presidente de Energia e Sustentabilidade da MIT Technology Review Brasil, o avanço da agenda regenerativa é irreversível. Segundo ele, a sustentabilidade passou a ser um vetor central da competitividade econômica. Empresas que não integrarem tecnologia, impacto ambiental e modelos regenerativos às suas estratégias tendem a perder espaço nas cadeias globais de valor, enquanto o Brasil reúne ativos naturais e tecnológicos capazes de colocá-lo na liderança dessa transição – desde que acelere investimentos, inovação e governança climática.

O relatório também aponta que a lógica regenerativa vai além dos parâmetros tradicionais de ESG. Mais do que mitigar impactos negativos, a proposta é promover melhorias ativas nos sistemas naturais e produtivos que sustentam a economia. Para isso, a colaboração entre startups, universidades, governos e grandes empresas é apontada como elemento-chave para transformar inovação em soluções escaláveis.

Na prática, o estudo reúne exemplos concretos de empresas que já convertem sustentabilidade em valor econômico, como Natura e ArcelorMittal, além de fundos e grupos de investimento focados em inovação climática. Os casos indicam que a sustentabilidade deixou de ser uma aposta no futuro e passou a definir, no presente, quais empresas permanecerão competitivas nos próximos anos.

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