Recentemente, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, mencionou que ao menos 17 países já se inspiraram no Pix para criar seus próprios sistemas de pagamentos instantâneos.
Se o conhecimento deste método de pagamento ganhou projeção no mundo todo nos últimos anos, isto se deve a PagBrasil, plataforma de pagamentos online gaúcha, e ao seu CEO e cofundador Alex Hoffmann, que define 2025, exatamente quando a companhia completou 15 anos, como “fantástico”.
A principal conquista foi a autorização do Banco Central para que a companhia possa atuar no mercado de câmbio, o que a ajudou em seu processo de internacionalização do Pix, como explica Hoffmann em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY:
“Fechamos contratos gigantes e lançamos novos produtos muito alinhados à nossa agenda contínua de inovação. Em julho, colocamos o Pix Internacional nos Estados Unidos, em parceria com a Verifone, a maior adquirente daquele país. Em novembro, fechamos parceria com a Liquid Group, hub de pagamentos do Sudeste Asiático, para permitir que usuários de vários países da região realizem pagamentos por meio do nosso produto Pix Roaming, que possibilita o uso do Pix por clientes de bancos e carteiras digitais estrangeiros”, disse.
Já em dezembro, a PagBrasil fechou parceria com a Coelsa, a principal câmara de compensação da Argentina, para que todos os bancos do país platino possam oferecer pagamentos com Pix aos milhões de argentinos que visitam o Brasil todos os anos. Com isso, os bancos argentinos se juntam ao hub de conexão regional que a PagBrasil criou, que já inclui também, por exemplo, os bancos paraguaios.
Por ter sede em Porto Alegre, a proximidade com a Argentina e o interesse dos turistas de lá em visitar o Brasil, faz do mercado platino altamente estratégico para a companhia. Segundo a Embratur, os argentinos são líderes de visitas no Brasil, com cerca de 3 milhões de turistas só em 2025.
“A iniciativa privada criou produtos para atender demandas do mercado, como o Pix Parcelado, lançado pelos bancos há alguns anos, e o Pix Internacional, criado pela PagBrasil em 2023, que internacionalizou a forma de pagar uma simples conta. Essa versatilidade continuará sendo, em 2026, o grande motor de inovação do ecossistema do Pix. E dificilmente uma pressão interna ou externa irá parar essa agenda”, afirmou Hoffmann.
Desafio de unir sistemas globais de pagamentos
Em 2023, Alex Hoffmann estava em Punta del Leste, no Uruguai, destino muito procurado por brasileiros. Quando ele viu tantos turistas de seu País natal em volta, pensou: “Se eu posso chegar aqui sem passaporte e estou cercado por brasileiros, por que não posso pagar com Pix?”
Após vender a ideia para hotéis e outros estabelecimentos no Uruguai, a PagBrasil decidiu encontrar um parceiro que servisse como proprietária de seus serviços no país. A escolhida foi a Plexo, que posteriormente foi absorvida pelo Itaú. Em seguida, foram para países como México, Chile, Espanha, Portugal, Holanda, Argentina e, em 2025, chegaram aos EUA sob total pressão de Donald Trump que viu no Pix uma ameaça às famosas bandeiras de cartões locais, como a Mastercard.
“O grande diferencial do Pix, com relação a outros sistemas de pagamentos instantâneos em outros países, é que ele é uma infraestrutura pública que não só está em constante evolução, com a agenda do Banco Central dando os principais direcionamentos, como permite que players privados se conectem a essa infraestrutura e criem soluções não nativas”, afirmou Hoffmann.
Os sistemas de pagamento em tempo real A2A, também chamado de account-to-account, ou conta a conta, em português, são consideradas tendências importantes em um futuro não muito distante, com diversas iniciativas nesse sentido em muitos mercados. Ainda assim, embora muitos se inspirem no Pix, particularidades locais impedem que um único sistema se torne global.
“Por isso que acreditamos em um futuro de interoperabilidade entre os diferentes sistemas A2A de cada país, para que as pessoas possam pagar no exterior da mesma forma como pagam em seu próprio país. Por trás, a nossa mágica acontece de forma invisível, permitindo que sistemas distintos conversem entre si. A PagBrasil está investindo fortemente nessa visão, que redefine os pagamentos transfronteiriços”, disse o executivo.

