Para CEO da SAP Brasil, 2026 trará IA mais autônoma no ambiente corporativo local

Rui Botelho fecha seu primeiro ano na presidência brasileira da gigante de tecnologia defendendo a capacitação de profissionais em inteligência artificial

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Imagens: Divulgação

Rui Botelho, CEO da SAP Brasil: 2025 foi um ano de sucesso para a cadeia produtiva da empresa no País

Rui Botelho, CEO da SAP Brasil: 2025 foi um ano de sucesso para a cadeia produtiva da empresa no País

Rui Botelho é sem dúvidas uma das principais autoridades para falar sobre o processo de transformação digital que o Brasil atravessa. Com cerca de 30 anos no mercado de tecnologia, em mais da metade deles Botelho atuou na IBM, onde foi um dos líderes na área de vendas de software e hardware. Também foi diretor na PwC Brasil, onde atendeu clientes do porte da Oracle e Microsoft.

Após duas passagens pela SAP, voltou à empresa em 2020, quando se tornou COO para, em seguida, assumir a presidência da companhia no México, um dos principais mercados mundiais da gigante alemã de tecnologia que alcançou mais de € 34 bilhões de receita total no último ano fiscal em todo o mundo. Em abril deste ano, retornou ao Brasil onde se tornou CEO da operação no País.

De acordo com Botelho, este ano ano foi marcado por uma grande virada no mercado de tecnologia: deixar a fase “piloto” da inteligência artificial (IA) para entrar em aplicação em escala, com foco em produtividade, qualidade de decisão e retorno mensurável.

” As empresas passaram a priorizar casos de uso integrados ao dia a dia, em finanças, compras, RH, supply chain, e não apenas projetos experimentais isolados. Na SAP trabalhamos com a ideia de Business first, AI first, ofertando soluções práticas, confiáveis, ágeis, que agreguem governança e apoiem nossos parceiros e clientes a avançar nesta jornada de transformação digital de forma bastante efetiva, no dia a dia, com ganhos mensuráveis. Então, 2025 foi um ano de muito sucesso para toda a nossa cadeia produtiva”, afirmou Botelho em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY.

O estudo “Tendências na Transformação Digital do Ambiente de Trabalho 2025”, da Zoho Corporation, aponta que o Brasil atingiu 62,5 pontos em maturidade digital, superando ligeiramente a média global de 62,3 pontos. É um mercado em total expansão para a companhia alemã que, de acordo com levantamento da FGV, foi eleita pelo 4º ano consecutivo como líder de participação em projetos para simplificar funções e fluxos de trabalho por meio da automação tecnológica entre grandes corporações.

Ele afirma que, em 2026, o Brasil verá a consolidação de uma IA mais “autônoma” no ambiente corporativo, com agentes capazes de orquestrar tarefas e fluxos de ponta a ponta, do fechamento financeiro à gestão de talentos, sempre com governança e rastreabilidade.

“O diferencial competitivo estará em combinar essa automação com dados de negócios confiáveis, integrados em suítes completas de aplicações empresariais, que conectem as visões de CFOs, CIOs e CHROs e permitam usar melhor a tecnologia em decisões de receita, custo, risco e pessoas”, disse.

A computação quântica também deve ganhar espaço no radar executivo, especialmente em casos de uso de otimização complexa e simulações avançadas, ainda em estágio inicial, mas com grande potencial para logística, finanças e manufatura. Porém, isso só deve se sustentar com investimento contínuo em mão de obra qualificada.

A corrida por talentos em dados e IA já é uma agenda estratégica e, de acordo com Botelho, a SAP está direcionando recursos significativos para requalificação e capacitação da força de trabalho em IA, dados e nuvem, com programas estruturados de upskilling e reskilling em escala global, combinando formações técnicas, certificações e jornadas contínuas de aprendizagem para preparar as equipes dentro deste novo ciclo de inovação.

“Se pensar em computação em nuvem, por exemplo, podemos dizer que hoje não é mais uma questão para o CIO ou gerente de TI brasileiro. A adoção de conceitos de inteligência artificial, muitas vezes até usando funcionalidades que já estão disponíveis, como é o caso de clientes da SAP, vem acontecendo com muita, muita velocidade. Setores como varejo ou agronegócio estão bastante aquecidos”, afirmou o CEO.

“Diariamente, a SAP apoia seus clientes e parceiros a desenvolverem processos digitais bem estruturados, com uso das melhores ferramentas tecnológicas alinhado aos objetivos organizacionais. Por isso, sabemos quanto o País está avançando e quanto alguns segmentos e regiões ainda precisam de atenção”, destacou Botelho.

Pesquisa mostra que adoção em IA pode dar retorno de 31% até 2027

De acordo com o estudo global “Value of AI” realizado pela SAP, em parceria com a Oxford Economics, conduzida em 2025 com 1.600 executivos de empresas médias e grandes em oito países, entre eles o Brasil, a IA deixou de ser apenas uma promessa de inovação para se tornar parte estratégica das decisões, processos e resultados das empresas brasileiras: companhias de médio e grande porte no País investem, em média, US$ 14,2 milhões por ano em IA e já registram retorno médio de 16%, com projeção de chegar a 31% em dois anos.

Na comparação com os outros mercados, o Brasil é um dos mais avançados na transformação da IA em valor de negócio. Embora os investimentos anuais no país ainda sejam menores que em mercados como China (US$ 42 milhões) e Estados Unidos (US$ 37 milhões), as empresas brasileiras igualam a média global de retorno (16%) e demonstram confiança semelhante à dos principais centros econômicos, com 78% das organizações prevendo ROI positivo em até três anos.

A próxima fronteira da IA no Brasil será impulsionada pelos agentes autônomos, ou seja, sistemas capazes de planejar, agir e colaborar com mínima intervenção humana. De acordo com o estudo da SAP, 78% dos executivos brasileiros acreditam que esses agentes terão alto potencial de transformar as operações corporativas.

As empresas brasileiras esperam ainda um retorno médio de 10% (cerca de US$ 3 milhões) com o uso desses sistemas nos próximos dois anos, valor em linha com a média global. Apesar disso, apenas 1% das organizações afirmam estar totalmente preparadas para escalar o uso dessa tecnologia (contra 5% no cenário global), enquanto 65% dizem estar parcialmente prontas (contra 54% globalmente).

“A pesquisa é um indicativo da mudança de patamar na adoção e empregabilidade dessa tecnologia. Esse movimento também elevou a conversa sobre confiança, em temas como segurança, governança de dados, privacidade e responsabilidade. Eles deixaram de ser ‘camadas’ adicionais e se tornaram condição básica para escalar a tecnologia”, afirmou Botelho.

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