“O setor produtivo vai trabalhar pela troca de governo em 2026”, diz CEO da Aprosoja

Em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY, Maurício Buffon reclama da falta de diálogo com o governo Lula e critica excesso de políticas ambientais no País

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Imagens: Divulgação

Maurício Buffon, CEO da Aprosoja: setor ainda pensa qual candidato apoiará, mas garante que não será Lula

Maurício Buffon, CEO da Aprosoja: setor ainda pensa qual candidato apoiará, mas garante que não será Lula

A relação entre Lula e o agronegócio não anda boa há algum tempo, principalmente quando Jair Bolsonaro se colocou como representante deste setor. Agora que está fora da disputa em 2026, quem será o candidato desta parte tão importante da economia brasileira?

Para Maurício Buffon, CEO da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), ainda não está decidido, mas com certeza não será Lula. E mais: ele fala que isso não diz respeito apenas aos produtores de soja, que representa, mas do setor produtivo como um todo. Em contrapartida, também elogia o atual governo nos esforços para fechar o acordo entre Mercosul e União Europeia. Confira a entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY:

Como o senhor viu o mercado da soja em 2025?
Andou muito de lado. Praticamente não houve momentos de comercialização com lucratividade e sim uma demanda baixa que não acompanhou a boa produção no Brasil, América do Sul e EUA. Então, tivemos oferta de produtos, mas o mercado não remunerou quem produziu e por isso posso dizer que na questão de comercialização não tivemos bons momentos em 2025.

Quais as expectativas do setor em 2026?
Na questão de mercado não é muito diferente de 2025. O produtor precisa comercializar para manter seus custos de produção, então Vai depender muito da safra brasileira e da que vem dos EUA, mas a expectativa é que será menor do que tivemos na última.

Como vem sendo o diálogo com o governo Lula desde o início do mandato?
Com relação ao governo atual, o setor não tem um bom relacionamento até porque as políticas públicas instaladas para o setor, tanto de incentivo, como Plano Safra, como a equalização de juros e seguros não vêm sendo trabalhadas da maneira correta. Muito pelo contrário. Por outro lado, muitas normativas na questão ambiental vem deixando muito mais difícil para o produtor trabalhar. Temos ainda um período pela frente desse governo que do nosso ponto de vista tem deixado muito a desejar para o setor. E uma hora a sociedade como um todo vai pagar essa conta, já que diminuindo a produção vai também reduzir a oferta de alimentos nos supermercados. Então, este aperto que o governo federal vem fazendo em cima do setor produtivo vai fazer com que a população sofra com a falta de incentivos de políticas públicas para aumentar a produção.

O setor tem algum lado político nas eleições de 2026?
Sobre a questão eleitoral, o setor produtivo vai trabalhar pela troca de governo em 2026, já que não apoia este que aí está. Ainda não sabemos quem apoiaremos nas eleições, mas será alguém que olhe para o setor como um todo. Temos um grande problema de endividamento e precisa ser feita uma reestruturação, mas o atual governo faz pouco caso. Então, não temos muito diálogo com eles.

Quais os principais nós logísticos que impedem o Brasil de aumentar ainda mais a produção de soja?
A questão logística para o Brasil é muito importante, já que precisamos que ela seja eficiente principalmente com rodovias e ferrovias. O País tem condição de implantar, mas precisamos de políticas públicas dando essa condição. Temos aí a Ferrogrão, que ajudaria muito a produção brasileira a ser escoada a um preço melhor. Hidrovias também são estudadas, mas infelizmente muito pouco se andou nos últimos três anos desse governo devido à burocracia e às questões ambientais. Todas essas obras trariam ganhos ambientais e sustentabilidade econômica, mas por ideologia elas não avançaram e precisamos que andem. Os portos precisam ser aumentados já que a produção brasileira cresce e a logística e os portos não acompanham com a mesma velocidade. Então, para o Brasil ganhar mercado precisa investir em portos, ferrovias e hidrovias, o que trará ganho para o País como um todo.

O senhor é crítico do presidente Lula, mas como enxerga o acordo entre Mercosul e União Europeia que o atual governo tenta fechar desde o início do mandato?
O acordo é benéfico para a soja, podendo abrir novos mercados, principalmente na questão das carnes. Quando se produz e envia mais carne para a Europa, automaticamente consome mais soja e milho, o que traz mais ganhos ao produtor rural. No geral, vemos com bons olhos e acreditamos que se conseguirmos avançar e implantar será bom. A questão é que há um protesto muito grande lá, já que não querem a concorrência dos produtos brasileiros e sul-americanos na Europa, principalmente usando o meio ambiente, que nada mais é que uma cortina de fumaça, para bloquear o acordo. Se assinado, algumas narrativas caem e melhora o cenário para o setor. Quanto mais mercados abertos para a produção agrícola brasileira, melhor.

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