O ambiente econômico não foi fácil para a indústria de eletrodomésticos em 2024. O aumento da taxa Selic encareceu o crédito ao consumo, afetando diretamente o ciclo financeiro do varejo e desacelerando as vendas de bens duráveis. Na Argentina, mudanças políticas e estímulos às importações também criaram instabilidade. “Foi um primeiro semestre turbulento, especialmente no Brasil, que é um dos maiores mercados do mundo para nós”, afirmou Fernando Bueno, CEO da Philips Walita para a América Latina. “Ainda assim, conseguimos crescer acima do mercado em categorias estratégicas.”
Enquanto o consumo de itens mais básicos cedeu, as linhas premium ganharam protagonismo, segundo o executivo. “O consumidor está migrando de modelos menores de airfryers para equipamentos maiores, mais tecnológicos e sofisticados. Essa mudança de perfil foi decisiva para mantermos ritmo de crescimento”, disse.
Não é exagero dizer que a airfryer é o coração da Philips Walita no Brasil. Embora a companhia tenha um portfólio diversificado, a categoria se tornou sinônimo da marca nos últimos anos. Hoje, modelos de até 5 litros recuam em vendas de dois dígitos, mas aparelhos de maior capacidade e especificações avançadas crescem no mesmo patamar. “Não atuamos em primeiro preço. O nosso posicionamento é médio e premium. O consumidor que já teve a primeira experiência agora quer mais desempenho, design e conveniência. Esse público é o que mais cresce”, reforçou Bueno.
A tendência também abriu espaço para inovações. Uma das mais promissoras é o air oven, híbrido de forno elétrico com airfryer, que já responde por 30% do mercado brasileiro em apenas dois anos. “Lançamos nosso produto há três meses e ele já figura como o segundo item de maior market share interno. É um segmento que nasceu no Brasil e está se expandindo para outros países da América Latina”, acrescentou o CEO.

A estratégia da Philips Walita é clara: jogar no campo do valor agregado. “A gente não compete em quantidade de produtos, mas em qualidade. Nosso portfólio é mais enxuto, com tecnologia embarcada que entrega economia de energia, eficiência de cozimento e design superior”, explicou o executivo.
Um exemplo é a recém-lançada airfryer dual basket, com duplo cesto e capacidade de 7 litros, que permite cozinhar dois alimentos simultaneamente em temperaturas e tempos distintos, mas com sincronização automática do preparo. “Essa tendência já é consolidada na Europa. Estamos trazendo ao Brasil e acreditamos que será uma categoria em que vamos liderar rapidamente”, afirmou.
Com preços que variam de R$ 399 a R$ 999, os novos modelos posicionam a marca no segmento mais gourmetizado do mercado, mirando um público disposto a investir em experiência e conveniência.
Expansão do portfólio
Embora as airfryers sejam protagonistas, a Philips Walita vem ampliando seu portfólio no Brasil. Recentemente, lançou dois modelos de aspiradores de pó e já avalia entrar no segmento de ventiladores – a maior categoria de eletroportáteis no País.
Além disso, a marca é líder em cafeteiras superautomáticas, que preparam expressos, cappuccinos e macchiatos sem cápsulas, apenas com grãos moídos na hora. “É uma categoria que cresce 60% ao ano no Brasil e na qual já temos mais de 50% de participação. Basta escolher no painel se quer um espresso ou um cappuccino, e em segundos a bebida está pronta”, disse Bueno.
A visão da empresa, segundo ele, é se consolidar como uma marca multicategorizada, oferecendo soluções que vão da cozinha ao cuidado com a casa. Aspiradores robôs, ferros de passar, até mesmo máquinas voltadas para pets estão no radar da companhia.
Outra frente de transformação é a estratégia de distribuição. Até 2021, a Philips Walita tinha mais de 50% das vendas concentradas na Polishop, de João Appolinário. Hoje, o cenário é totalmente diferente: a empresa está presente em praticamente todos os grandes varejistas, físicos e digitais, com cobertura de mais de 90%.
“A primeira fase era garantir pelo menos um produto Philips Walita em todas as lojas do Brasil. Já chegamos a esse patamar. Agora, a estratégia é adequar o portfólio para cada ponto de venda, evitando que o varejista fique superestocado e garantindo que o consumidor encontre a solução certa no lugar certo”, explicou Bueno.
A meta é fechar 2025 com presença em 100% das grandes redes varejistas do País. A empresa está em negociação avançada com duas redes do Sul (as últimas entre as grandes varejistas que faltam) e, a partir de janeiro, deve finalmente completar a cobertura.
Depois de um crescimento de 50% em 2024, a Philips Walita projeta encerrar 2025 com expansão em dois dígitos, ainda que mais moderada. “Continuamos ganhando participação de mercado. Só não crescemos mais porque o mercado não cresce mais, impactado pela Selic elevada”, afirmou. Apesar das dificuldades, a estratégia de premiumização, inovação tecnológica e expansão da distribuição deve sustentar a trajetória positiva da companhia.