A instabilidade cambial e a imposição de tarifas estão gerando preocupação entre importadores e exportadores brasileiros. Com o dólar oscilando entre R$ 5,70 e picos de R$ 6,30 nos últimos meses, muitas empresas estão reavaliando suas estratégias comerciais e financeiras. É o que afirma Rodrigo Xavier, CEO da Oz Câmbio, que movimenta cerca de US$ 100 milhões por mês e ultrapassou R$ 10 bilhões em transações em 2024.
“A volatilidade do câmbio dificulta o planejamento de médio e longo prazo, especialmente para pequenos e médios importadores, que têm menos acesso a mecanismos de proteção, como hedge e travas cambiais”, afirmou o executivo em entrevista ao BRAZIL ECONOMY.
Diante desse cenário desafiador, a Oz Câmbio está investindo em tecnologia para oferecer serviços mais eficientes. A companhia atua com players globais, como e-Banks e TerraPay, no segmento de pagamentos em massa, atendendo também multinacionais como Valeo, Clariant e Caterpillar. Recentemente, lançou uma plataforma voltada para agentes autônomos de investimento, como os da XP e do BTG, permitindo uma gestão mais eficiente da carteira de câmbio dos clientes.
“Como muitos investidores estão enviando recursos para o exterior como se não houvesse amanhã, estamos utilizando muita tecnologia para aprimorar a experiência dos usuários e das empresas”, disse Xavier.
O cenário de volatilidade não deve mudar no curto prazo, segundo ele. Para conter as oscilações do dólar, o Banco Central tem realizado leilões de moeda, o que ajudou a reduzir a cotação e minimizar impactos inflacionários. No entanto, fatores externos continuam influenciando o câmbio brasileiro. A política econômica dos Estados Unidos, incluindo medidas protecionistas do presidente Donald Trump, pode gerar novas pressões sobre o real.
Outro evento que impactou o mercado cambial foi a recente crise política na Turquia, que levou à fuga de capitais e ao aumento do fluxo de investimentos para mercados emergentes como o Brasil. Isso ajudou a reduzir temporariamente o dólar, mas analistas apontam que a estabilidade do real depende, principalmente, da credibilidade da política fiscal do governo brasileiro.
Dolarização do patrimônio e expansão internacional
Um fenômeno crescente no mercado, que tem impulsionado as empresas especializadas em câmbio, é a busca por dolarização do patrimônio por parte dos investidores brasileiros. O segmento de envio de remessas para o exterior tem registrado um crescimento expressivo, quadruplicando a participação de mercado da Oz desde o final de 2023.
Com um setor cambial cada vez mais competitivo, a estratégia para manter a relevância no mercado passa por investimentos constantes em tecnologia. De acordo com Xavier, a Oz tem apostado em soluções inovadoras, incluindo inteligência artificial, para otimizar a jornada do cliente.
O plano para os próximos anos inclui uma rodada de captação para expansão internacional, mirando mercados como Estados Unidos, México e Colômbia, com previsão de entrada nesses países entre 2025 e 2026.
“Enquanto investidores buscam formas de proteger seus recursos e expandir operações para mercados externos, as empresas que conseguirem se adaptar à nova realidade do mercado cambial terão um papel fundamental na economia brasileira”, garantiu Xavier.