A corrida da Vulcabras para driblar o tarifaço de Trump às importações brasileiras

O CEO da companhia, Pedro Bartelle, coloca toda a sua infraestrutura no País à disposição dos asiáticos da Mizuno e dos americanos da Under Armour diante da ofensiva aos produtos "Made in Outside USA"

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Imagens: Cláudio Gatti/Brazil Economy

Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras, diz estar pronto para compensar uma eventual queda de marcas asiàticas nos EUA

Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras, diz estar pronto para compensar uma eventual queda de marcas asiàticas nos EUA

Na quinta-feira (3), assim que acordou, o executivo gaúcho Pedro Bartelle, CEO e herdeiro da Vulcabras, telefonou aos seus parceiros americanos e japoneses para se colocar à disposição de eventuais demandas para amenizar os impactos das medidas protecionistas anunciadas horas antes pelo presidente americano Donald Trump. Como representante exclusivo das marcas Under Armour e Mizuno no País, Bartelle garantiu a eles que está pronto para compensar qualquer problema de desabastecimento no mercado americano que ambas as marcas possam enfrentar com o tarifaço.

“Hoje temos infraestrutura e qualidade para ocupar o espaço de qualquer marca global de tênis esportivo, em qualquer mercado do mundo”, afirmou o CEO, em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY, em Porto Alegre (RS). “Se vamos pagar 10% de taxa de importação, contra mais 30% dos asiáticos e 20% dos europeus, nossos produtos se tornam competitivos em preço, tanto quanto em qualidade”, acrescentou Bartelle.

Mas nem tudo são flores. Se, por um lado, as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos asiáticos podem abrir oportunidades para a exportação de calçados brasileiros, por outro, também podem trazer riscos significativos para a indústria nacional, segundo Bartelle. Um eventual arrefecimento das vendas no mercado americano pode forçar países asiáticos a escoar seus produtos para outros mercados emergentes, como o Brasil, oferecendo calçados a preços muito reduzidos. “Estamos dialogando com o governo para monitorar o aumento das importações de produtos subsidiados, pois isso pode prejudicar a indústria nacional”, ponderou o CEO.

A preocupação de Bartelle faz todo sentido. O Brasil é historicamente pouco competitivo em razão dos altos custos de produção. Por isso, ao mesmo tempo que pode se tornar uma alternativa viável para abastecer o mercado dos EUA, pode ser um destino cobiçado por fabricantes de calçados do mundo todo. “Essas tarifas impostas à Ásia vão nos trazer um pouco de competitividade, pois os produtos asiáticos, que antes dominavam pela diferença de custo, agora podem perder espaço”, afirmou.

Atualmente, a Vulcabras não exporta para os Estados Unidos, mas a empresa já abastece outros mercados internacionais, especialmente na América do Sul, que representa algo em torno de 10% da produção total. Com a nova dinâmica global, a companhia planeja ampliar sua presença no mercado americano e produzir para grandes marcas internacionais.

Outro fator destacado por Bartelle é a necessidade de garantir condições igualitárias para a indústria calçadista brasileira competir globalmente. “O Brasil ainda enfrenta dificuldades significativas, principalmente no custo da mão de obra, que representa cerca de 40% do custo direto do calçado. Com a recente oneração da folha de pagamento, esse impacto se agrava ainda mais”, explicou o executivo.

Apesar dos desafios, a Vulcabras segue em expansão. No quarto trimestre de 2024, a empresa registrou faturamento recorde, superando R$ 1 bilhão – o primeiro resultado bilionário trimestral de sua história. O crescimento foi impulsionado pelo lançamento de novas linhas de produtos de alta performance, como os modelos Corre da Olympikus e chuteiras da Mizuno.

O executivo também anunciou um lançamento estratégico: “No segundo semestre, apresentaremos um tênis para competir pelo título de melhor do mundo, produzido no Brasil pela Olympikus.”

Porém, a conjuntura macroeconômica ainda preocupa. “A queda do dólar pode facilitar a entrada de produtos importados e aumentar os custos de matérias-primas dolarizadas, como o EVA. Além disso, os juros elevados dificultam o financiamento para nossos clientes, impactando o consumo”, afirmou.

Como em uma maratona, em que a resistência vale mais do que a velocidade, a Vulcabras parece seguir com passos firmes e focada na linha de chegada — seja com Olympikus, Under Armour ou Mizuno.

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