Misha: a (semi) joia dos negócios de Newton Rocha, ex-Riachuelo, com a influencer Mica

Ex-executivo e conselheiro da rede de lojas de departamento fundada por sua família atua em sociedade com sua filha, Mica Rocha, em empresas de semijoias e de moda fitness que agrega conforto e sofisticação. Projeção é faturar mais de R$ 100 milhões este ano

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Imagens: Divulgação

Misha by Mica começou como e-commerce e hoje possui oito unidades em shoppings

Misha by Mica começou como e-commerce e hoje possui oito unidades em shoppings

Mica Rocha entrou na trend “primeiro você começa, depois você melhora”. A empresária e influenciadora publicou em suas redes sociais um vídeo em que mostra os momentos iniciais da Misha by Mica, sua grife de semijoias autorais criada em outubro de 2020. “Com olheira, bebê de dois meses, sutiã de amamentação, escritório sem piso, pedidos embalados até de madrugada”, descreveu ela em texto que acompanha as imagens que mostram seu pai e sócio, Newton Rocha, ex-executivo e conselheiro da Riachuelo, fundada por sua família, embalando os primeiros pedidos. Corta para março de 2025. A Misha, que deu seus primeiros passos no mundo digital, já possui oito lojas, a última delas inaugurada semana passada no Shopping Iguatemi Alphaville, na região metropolitana de São Paulo. Junto com a Open Era, uma athleisure lifestyle, que combina conforto com sofisticação na moda esportiva. A expectativa para este ano é ultrapassar R$ 100 milhões em receita nas duas companhias, que estão sob o guarda-chuva da holding New Bloomers.

Mica atua há 15 anos como produtora de conteúdo nas redes sociais. Com 1,5 milhões de seguidores no Instagram, tem se tornado referência em temas como moda, beleza e empoderamento feminino. Também é autora de três livros sobre relacionamento. Depois de tudo isso, resolveu entrar para o mundo dos negócios. “Estava procurando novos desafios e novas paixões”, disse ela ao BRAZIL ECONOMY.

Lançou, então, a Misha quatro anos e meio atrás, inspirada em duas situações. Uma delas sua avó paterna, Lucimar, uma potiguar radicada em Pernambuco que usava muitos acessórios. “Ela sempre foi muito fã de bijuteria. Vivia com muitos brincos, pulseiras, colares e anéis, vermelhos, verdes e azuis, combinando com seus vestidos. Eu puxei essa paixão dela”, discorreu Mica.

Mica Rocha e Newton Rocha no início da operação da Misha: primeiro a gente começa, depois a gente melhora
Mica Rocha e Newton Rocha no início da operação da Misha: primeiro a gente começa, depois a gente melhora

O outro incentivo veio de uma análise do mercado. “Eu não consegui encontrar uma marca que juntasse um protagonismo de design com qualidade e moda. Eu sempre adquiria meus acessórios em lojas que vendiam roupa. Não havia  um lugar que eu gostasse de ir para realmente viver o mundo dos acessórios.”

Com a ideia na cabeça e R$ 90 mil de investimento, abriu um site, preparou as ações de marketing, as coleções, os contatos com fornecedores e a operação logística para entregas. Tudo pronto para o grande lançamento, a audiência do e-commerce foi um sucesso. Mais de 15 mil acessos simultâneos. Mas uma preocupação. Apenas dois pedidos finalizados. “Fiquei acabada. Fiquei mal.”

Mas logo descobriu havia um erro no sistema de pagamento e as compras estavam represadas no carrinho. “Resolvemos em 24 horas. E tudo passou a ir muito bem.”

Como toda experiência ruim tem seu lado bom, desse embaraço foi criado o canal de vendas diretas por WhatsApp, uma das principais linhas de vendas da Misha até hoje, em que Mica interage com clientes – para surpresa delas.

Superado o problema dos pagamentos, as vendas alavancaram. Houve momentos em que faltaram embalagens para os produtos, de tantos que foram os pedidos. Mas não faltava entusiasmo para seguir no negócio que se mostrava promissor. Junto com apenas uma colaboradora, Mica e Newton faziam tudo. Como mostrou a empresária na trend relatada no início desta reportagem.

As encomendas eram colocadas no chão de cimento, sem piso, do escritório de 20 metros quadrados. Andar pelo local apertado requeria habilidade para não pisar nos pacotes.

Tudo isso mostra que o negócio começou pequeno, sem business plan e sem muita pretensão, como admite Mica. “Seguimos porque realmente foi uma vontade da minha alma”, disse ela, que foi vendedora da Daslu, loja de luxo ícone dos anos 1990 e 2000 em São Paulo, e da própria Riachuelo.

Apesar dos percalços iniciais, a Misha ganhou forma com o volume de vendas. Foi aí que entrou a expertise corporativa de Newton Rocha, em gestão e estratégia.

CEO da Midway, braço financeiro da Riachuelo, entre 2018 e 2020, e conselheiro da rede de departamento do Grupo Guararapes até março de 2021, Rocha saiu de uma companhia que fatura R$ 9,6 bilhões para uma loja virtual de semijoias familiar – como começou a Riachuelo, inclusive – que acabara de ser lançada. “Fiquei só uma semana aposentado”, brincou Rocha, ao mostrar o mesmo entusiasmo de quando estava em um player gigante do mercado varejista.

O executivo organizou as finanças da Misha, estabeleceu alguns processos internos e contratou profissionais para o negócio, inclusive colaboradores oriundos da Riachuelo.

Os resultados foram notórios. A começar pela abertura da primeira loja física da empresa no concorrido Shopping JK Iguatemi, no final de 2021, um ano após o início da operação da Misha. Uma “lojinha” de 37 metros quadrados, segundo Rocha, que estava mais acostumado a abrir unidades de 3.000 metros quadrados na Riachuelo. “A de 37 metros quadrados deu mais trabalho”, relatou.

No primeiro mês de atuação no centro comercial de luxo paulistano, “foi a loja que mais vendeu por metro quadrado no shopping inteiro”, segundo Rocha. Mais do que Chanel, Louis Vuitton e Tiffany. Sem propaganda.

“Apenas” com o trabalho de Mica nas redes sociais, que é importante, mas não é o principal fator, como pai e filha ressaltam. “Foi um mês intenso. E foi aí que a gente se empolgou de verdade”, contou Rocha, ao observar que também aprendeu com a operação da Misha. “Deixei de ser executivo e gestor para de fato ser um empreendedor”, frisou ele, aos 67 anos.

Em termos de crescimento, o primeiro ano cheio foi 2021, com faturamento triplicado em 2022, aumento de 50% em 2023 e 30% em 2024. Para 2025, a projeção é de avanço de pelo menos 25%.

Apesar dos percalços iniciais, a Misha ganhou forma com o volume de vendas
Apesar dos percalços iniciais, a Misha ganhou forma com o volume de vendas

Com a Misha melhor estruturada, era hora de partir para um projeto que estava na cabeça de Newton Rocha há pelo menos 15 anos. A partir da admiração de uma marca de roupas fitness dos Estados Unidos, surgiu a Open Era, hoje com três lojas em shoppings (JK, Iguatemi Campinas e Pátio Batel, no Paraná).

Vai bem, obrigado. Assim, como a Misha, que não deixou o digital de lado e mistura o físico e o online. A projeção para este ano é abrir mais quatro ou cinco lojas, juntando as duas marcas. Dependendo do desempenho da macro economia, alertou Rocha.

Enquanto isso, Mica já pensa em mais uma empreitada: a Bloom Era Academy. Trabalha nisso desde fevereiro. Trata-se de um braço educacional do grupo, para falar com mulheres sobre autoestima, amor próprio, relacionamentos e carreira e empreendedorismo.

“É uma forma de colocar mais conteúdo, com metodologia, para ajudar as mulheres a encarar desilusões e provações, em um mundo tão cruel muitas vezes. Então, basicamente é um lugar muito seguro, com muita credibilidade que estamos formando para mulheres”, discorreu Mica Rocha, aos 39 anos. É mais um projeto que primeiro você começa, depois você melhora.

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