IA em alta? Apenas 1% dos CFOs a implementa com sucesso, aponta estudo da Russell Reynolds

Por um lado, executivos financeiros reconhecem a importância da tecnologia para a transformação digital e otimização de processos. Por outro, falta de confiança e orientação são barreiras para a adoção efetiva

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Imagens: Divulgação

Estima-se que 80% das atividades relacionadas a finanças terão aplicações de Inteligência Artificial nos próximos cinco anos

Estima-se que 80% das atividades relacionadas a finanças terão aplicações de Inteligência Artificial nos próximos cinco anos

Propagada como a tecnologia do século, que tem mudado a forma como nos relacionamos e como fazemos negócios, a Inteligência Artificial tem sido adotada pelas empresas que estão em busca de eficiência e inovação para processos críticos. O setor financeiro é um dos mais incitados a avançar em previsão econômica, gestão de riscos e fluxo de caixa. Esse é o lado bom da história. O outro lado da implementação da IA mostra que existem desafios significativos a serem enfrentados. Estudo da Russell Reynolds Associates, referência global em consultoria de liderança, ao qual o BRAZIL ECONOMY teve acesso, aponta para a realidade do uso dessa tecnologia.

De acordo com o levantamento Global Leadership Monitor, apenas 1% dos CFOs (chief financial officer) conseguiram implementar com sucesso soluções de IA em suas organizações. Por enquanto, ressalte-se, pois os casos de uso da IA ainda tem avançado e está em estágio inicial. Estima-se que 80% das atividades relacionadas a finanças terão aplicações de Inteligência Artificial nos próximos cinco anos.

“Embora a IA tenha um enorme potencial para transformar a função financeira, sua implementação bem- sucedida depende de uma colaboração estreita entre líderes financeiros e equipes de tecnologia”, afirmou Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática financeira da Russell Reynolds Associates, líder global em busca de altos executivos e consultoria em avaliação e desenvolvimento de lideranças, com atuação junto a organizações em 26 países, em 52 anos de atividades.

Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática financeira da Russell Reynolds Associates
Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática financeira da Russell Reynolds Associates

Para ele, “os diretores financeiros precisam adotar uma abordagem estratégica, começando com iniciativas simples e escaláveis, enquanto garantem uma governança sólida dos dados e desenvolvem as capacidades internas necessárias para acompanhar a evolução tecnológica”.

O estudo mostra ainda que a confiança dos CFOs para implementação da IA também é baixa: 28% dos líderes financeiros afirmam estar confiantes na adoção da tecnologia. Entre as principais barreiras citadas estão justamente o desconhecimento técnico, a governança inadequada dos dados e os desafios culturais e organizacionais. Além disso, apenas 14% dos CFOs concordam que recebem o nível adequado de orientação para aproveitar a IA de forma ética e segura.

Apesar das dificuldades, os CFOs reconhecem o potencial transformador da IA. Para eles, quando bem implementada, a tecnologia pode automatizar processos manuais, aumentar a precisão das previsões financeiras, reduzir fraudes e aprimorar a tomada de decisão. Contudo, a falta de uma estratégia clara e a escassez de recursos técnicos e humanos dificultam que essas vantagens se concretizem.

A pesquisa entrevistou mais de 4.000 executivos em todos os continentes. Destaca ainda as estratégias-chave para os CFOs implementarem a tecnologia em suas empresas, começando com a realização de pesquisas para identificar oportunidades de IA no setor financeiro e aprender com líderes inovadores.

A partir dessa base, é fundamental estabelecer uma colaboração estreita com a liderança de tecnologia para garantir uma implementação eficiente, mitigando riscos e promovendo o sucesso coletivo.

A transformação do setor financeiro por meio da IA exige uma abordagem estruturada, com foco no desenvolvimento de capacidades internas e na adoção gradual de soluções tecnológicas. Ao superar barreiras existentes, a IA pode criar valor sustentável e preparar as empresas para o futuro.

Paralelamente, a próxima geração de CFOs tende a priorizar a governança ética da IA e a qualidade dos dados, moldando uma visão mais equilibrada sobre seu uso. Esses líderes, conscientes das implicações de longo prazo, consideram riscos como vieses algorítmicos e a transparência nos processos automatizados, garantindo uma aplicação mais eficaz e responsável da tecnologia no setor financeiro.

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