Gigante da indústria química, Ashland ignora tarifaço de Trump e investe no Brasil

Com investimento de R$ 55 milhões em nova fábrica, o Brasil foi escolhido como prioridade dentro da estratégia de globalização nos segmentos farmacêutico e de cuidados pessoais

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Imagens: Divulgação

Fábrica de Cabreúva (SP) recebeu investimento de R$ 55 milhões para ter o dobro de capacidade da atual demanda

Fábrica de Cabreúva (SP) recebeu investimento de R$ 55 milhões para ter o dobro de capacidade da atual demanda

A multinacional americana Ashland, que faturou US$ 2 bilhões em 2024, reforça sua estratégia de expansão global com um novo investimento no Brasil. A empresa inaugurou uma planta em Cabreúva, interior de São Paulo, alinhada aos três pilares de sua estratégia: Globalize, Innovate e Invest. O empreendimento, que recebeu R$ 55 milhões, tem como foco atender à crescente demanda dos setores farmacêutico e de cuidados pessoais.

O investimento da Ashland no Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla, que inclui também aportes recentes na China e na Irlanda. “O Brasil foi escolhido dentro dessa estratégia de globalização porque vemos um mercado em franca expansão, principalmente nos segmentos farmacêutico e de cuidados pessoais”, afirmou ao BRAZIL ECONOMY a colombiana Brenda Rangel, líder regional América Latina e gerente geral para life sciences. Segundo ela, o mercado brasileiro de recobrimentos farmacêuticos cresce mais de 5% ao ano, tornando-se estratégico para a Ashland.

A nova planta de Cabreúva foi projetada em duas fases. Na primeira, a unidade já dobra a capacidade de produção da empresa em comparação à operação existente nos Estados Unidos. “Esta era uma tecnologia que importávamos de nossa planta em Wilmington, Delaware, e agora será fabricada localmente”, explicou Brenda. A segunda fase prevê uma nova ampliação da capacidade, dependendo da demanda futura do mercado.

Atualmente, a Ashland fornece insumos para a indústria farmacêutica, que, por sua vez, produz medicamentos tanto para o mercado privado quanto para o Sistema Único de Saúde (SUS). “Cerca de 60% dos produtos farmacêuticos fabricados com nossos insumos acabam atendendo indiretamente o setor público”, destacou a executiva.

Os insumos da Ashland são utilizados em medicamentos para o tratamento de obesidade, hipertensão, analgesia e oncologia, entre outros. “Trabalhamos com excipientes e revestimentos essenciais para a produção de medicamentos de alta qualidade”, completou Brenda.

Com a nacionalização da produção, a Ashland espera reduzir custos e aumentar a segurança operacional. “O principal benefício é estar mais próxima do mercado e do cliente. Aprendemos na pandemia que depender de importações pode ser um grande desafio”, afirmou a executiva. Além disso, a produção local reduz a exposição à volatilidade cambial, um fator que afeta diretamente os custos das empresas.

A nova planta de Cabreúva será responsável não apenas pelo abastecimento do mercado brasileiro, mas também pelas exportações para outros países da América Latina, como Argentina, Peru e Chile. “Estima-se que 70% da produção será destinada ao mercado doméstico, enquanto 30% será exportado para atender nossos clientes na região”, disse Brenda.

Brenda Rangel comanda as operações na América Latina
Brenda Rangel comanda as operações na América Latina

A unidade no Brasil será a única planta da Ashland na América do Sul, fortalecendo a posição estratégica do país no plano global da companhia. A empresa também possui uma operação no México, mas com foco distinto.

O Brasil segue como um dos mercados prioritários da Ashland, que projeta um crescimento acelerado nos próximos anos. “Neste primeiro momento, a segunda fase do projeto visa ampliar a capacidade de produção dos produtos que já fabricamos. No futuro, poderemos avaliar a diversificação do portfólio”, afirmou Brenda.

A conjuntura econômica brasileira apresenta desafios, como a volatilidade cambial e a taxa de juros elevada. No entanto, a Ashland adota uma estratégia de longo prazo. “Somos uma empresa centenária e já passamos por diversos ciclos econômicos. Nossa decisão de investir no Brasil se baseia na robustez e no potencial do mercado local”, afirmou a executiva.

A empresa também monitora de perto as mudanças na política econômica dos Estados Unidos, com o avanço do tarifaço protecionista do então presidente Donald Trump, que busca incentivar o retorno de investimentos ao país. Segundo Carolmarie Brown, vice-presidente global de relações institucionais, a Ashland se posiciona como uma empresa global e autônoma, adaptando-se às necessidades específicas de cada região. “Mais de 70% dos nossos funcionários estão fora dos Estados Unidos. Temos um plano estratégico de longo prazo bem definido e continuaremos focados no que podemos controlar”, destacou.

Com essa nova fase de investimentos, a Ashland fortalece sua presença no Brasil e se posiciona para capturar oportunidades de crescimento no setor farmacêutico e de cuidados pessoais, consolidando sua estratégia de expansão global — com ou sem Donald Trump.

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