O mercado global de tecnologias de reconhecimento biométrico deve avançar de US$ 6,42 bilhões em 2024 para US$ 35,14 bilhões até 2035, de acordo com projeções da consultoria Market Research Future. O crescimento reflete a incorporação acelerada de soluções digitais em diferentes segmentos da economia, além do fortalecimento de normas regulatórias e da demanda por sistemas de controle de acesso mais seguros e eficientes.
No Brasil, o impacto econômico da biometria já é mensurável. Levantamento da Fundação Getulio Vargas indica que a eventual interrupção dos sistemas de autenticação biométrica poderia provocar perda estimada em R$ 4,7 milhões por dia no Produto Interno Bruto, o que representa cerca de R$ 1,6 bilhão ao ano. O dado evidencia o papel estratégico da tecnologia na sustentação da economia digital e na prevenção de fraudes.

No segmento esportivo, o uso do reconhecimento facial deixou de ser uma inovação opcional e passou a integrar o conjunto de obrigações legais. Desde junho de 2025, arenas com capacidade superior a 20 mil espectadores são obrigadas a adotar sistemas de identificação biométrica, conforme previsto na Lei Geral do Esporte. A regulamentação tem levado clubes e administradoras a ampliar investimentos em infraestrutura tecnológica e a revisar processos operacionais, acelerando a profissionalização da gestão de estádios.
Entre as empresas que ampliaram presença nesse cenário está a Imply Tecnologia, responsável pela implementação de sistemas de reconhecimento facial em mais de dez estádios no país. Segundo Tironi Paz Ortiz, CEO da companhia, a adoção da biometria vai além do reforço à segurança. “A tecnologia contribui para reduzir filas, integrar bases de dados e otimizar a operação como um todo, com reflexos diretos na experiência do público e na rentabilidade dos eventos”, afirma.
A aplicação das soluções também se expande para o setor de entretenimento. Em 2025, a plataforma Imply ElevenTickets foi responsável pela operação das principais Oktoberfests realizadas em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os eventos reuniram 1.168.849 participantes e movimentaram R$ 96,9 milhões em vendas de ingressos, alimentos e bebidas. A integração entre controle de acesso, meios de pagamento e gestão de informações reforça a consolidação de plataformas unificadas como tendência predominante no mercado.
Diante de um ambiente regulatório mais rigoroso, maior preocupação com segurança e necessidade de eficiência operacional, o reconhecimento biométrico deixa de ocupar posição experimental e passa a compor o planejamento estratégico de arenas esportivas, festivais e organizadores de grandes eventos no Brasil e no exterior.
