Adoção de IA avança no setor financeiro, mas só 30% dos líderes se dizem prontos

Levantamento da Russell Reynolds Associates aponta expansão acelerada da GenAI em bancos e seguradoras, mas revela lacunas em competências técnicas, governança e preparo da alta liderança

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Imagens: Divulgação

Fernando Machado diz que a principal barreira está na capacidade de integrar a IA à rotina operacional

Fernando Machado diz que a principal barreira está na capacidade de integrar a IA à rotina operacional

A inteligência artificial generativa consolidou-se como prioridade estratégica no setor de Serviços Financeiros e já integra processos em bancos, seguradoras e instituições de crédito. Apesar do avanço consistente, apenas 30% dos executivos afirmam estar preparados para liderar uma transformação estrutural da força de trabalho nos próximos 12 a 18 meses.

Os dados constam no estudo Code to Culture: AI-Driven Workforce Transformation in Financial Services, da Russell Reynolds Associates, consultoria global especializada em busca e desenvolvimento de lideranças seniores. O levantamento indica que, embora a adoção tecnológica tenha acelerado, a prontidão organizacional ainda é limitada, o que pode comprometer a captura sustentável de valor gerado pela GenAI.

Segundo Fernando Machado, sócio e líder das práticas de Serviços Financeiros e Tecnologia da Russell Reynolds no Brasil, a principal barreira não está na tecnologia em si, mas na capacidade de integrar a IA à rotina operacional. “Observamos diversas instituições avançando com projetos-piloto e iniciativas isoladas, porém a transformação real ocorre quando a tecnologia altera efetivamente a maneira como as equipes trabalham no dia a dia. Isso exige disciplina de execução, desenvolvimento de competências e evolução do modelo de liderança”, afirmou.

O estudo mostra que 91% das organizações pesquisadas ampliaram a implementação de GenAI em fluxos de trabalho no primeiro semestre de 2025, ante 71% no mesmo período do ano anterior. A aceleração, contudo, não tem sido acompanhada por mudanças estruturais equivalentes. Apenas 32% dos respondentes consideram que suas equipes possuem as habilidades técnicas necessárias para aplicar a tecnologia de forma consistente, e menos de 25% relatam programas já plenamente incorporados à rotina das áreas.

Além das deficiências técnicas, o levantamento aponta desafios relevantes na governança e na condução estratégica. Para 88% dos executivos, a alta liderança precisa evoluir para sustentar a agenda de inteligência artificial, sendo que 15% defendem uma reformulação profunda no perfil dos dirigentes. A pesquisa também revela que 91% acreditam que funções corporativas como risco, compliance, finanças e recursos humanos terão de passar por adaptações significativas diante do impacto da GenAI sobre papéis, responsabilidades e processos decisórios.

Os primeiros efeitos positivos já são percebidos. Entre os líderes entrevistados, 57% relatam aumento de produtividade e ampliação de capacidades analíticas, enquanto 41% apontam ganhos na qualidade dos processos internos. Ainda assim, persistem preocupações quanto à dependência excessiva da tecnologia. Cerca de 59% demonstram receio de perda de competências essenciais e enfraquecimento do julgamento profissional.

Para mitigar esses riscos, a Russell Reynolds recomenda uma abordagem estruturada que inclua capacitação contínua, revisão de funções e rotinas e fortalecimento de lideranças capazes de combinar fluência em dados, adaptabilidade e responsabilidade na tomada de decisão. O estudo conclui que o diferencial competitivo não estará apenas na adoção da GenAI, mas na capacidade das organizações de transformar cultura, governança e modelo operacional de forma integrada.

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