O mercado de precatórios entrou em uma nova fase após a promulgação da Emenda Constitucional 136/2025, e empresas especializadas na antecipação desses créditos já colhem os efeitos da mudança. A PJUS registrou mais de R$ 800 milhões em originações no ano passado, crescimento de 57% nas operações. Para 2026, a projeção é de nova expansão, estimada em 36%. A estratégia está ancorada na ampliação da demanda por liquidez imediata em um cenário de maior imprevisibilidade quanto ao prazo e às condições de pagamento dos precatórios.
A alteração constitucional, derivada da PEC 66/2023, eliminou o prazo máximo para quitação das dívidas judiciais da União, estados e municípios e instituiu limites anuais de pagamento. Na prática, credores passaram a enfrentar um horizonte indefinido para recebimento de valores já reconhecidos judicialmente.
Além da indefinição temporal, houve mudança no indexador de correção monetária. Em determinados casos, a atualização passou a ser calculada pelo IPCA acrescido de 2% ao ano, substituindo a Selic. Para empresas detentoras de precatórios tributários ou empresariais, a alteração impacta diretamente a rentabilidade esperada e compromete o planejamento financeiro de longo prazo.
Liquidez imediata como alternativa
Nesse contexto, a antecipação de precatórios ganha relevância como instrumento de gestão de caixa. O modelo consiste na cessão do crédito judicial a investidores mediante deságio, permitindo ao titular receber imediatamente o valor acordado. Entre os cedentes estão servidores públicos, aposentados, pensionistas e pequenas e médias empresas fornecedoras do poder público, muitas com créditos aguardando pagamento há anos.
Segundo Fernando Kalil, CEO da PJUS, a nova configuração regulatória modificou a percepção de risco associada aos títulos. “A mudança constitucional ampliou a busca por alternativas que transformem ativos judiciais em liquidez imediata, tanto por pessoas físicas quanto por empresas”, afirma.
Desde a fundação, a companhia já antecipou cerca de R$ 3,5 bilhões em créditos, com gestão da XP Asset. O mercado total de precatórios, atualmente estimado em aproximadamente R$ 310 bilhões, pode avançar para a casa do trilhão nos próximos anos, impulsionado pelo crescimento do passivo judicial dos entes públicos.
Expansão e tecnologia no foco estratégico
Para sustentar o ritmo projetado, a PJUS reestruturou a área de parcerias estratégicas e ampliou o foco no segmento Mid Market, buscando empresas com maior volume de créditos tributários e empresariais. Paralelamente, investiu em ferramentas de inteligência artificial voltadas à análise documental e à modelagem de risco, com o objetivo de reduzir prazos de avaliação e elevar a eficiência operacional.
A combinação entre incerteza regulatória, estoque crescente de precatórios e demanda por previsibilidade financeira redesenha o setor. Nesse novo arranjo, a antecipação de créditos judiciais deixa de ser uma alternativa pontual e passa a ocupar posição central na estratégia de gestão de liquidez de credores em todo o país.
