Atlas acelera crédito estruturado e pagamentos globais com expansão nos EUA

Plataforma criada por ex-executivos de XP, Modal e Mercado Bitcoin atinge R$ 7 bilhões em operações mapeadas para conectar investidores a oportunidades offshore e atrair mercado americano

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Imagens: Divulgação

Felipe Siqueira (à esq.) e Alexandre Reda, sócios da Atlas, mantêm otimismo com mercado americano

Felipe Siqueira (à esq.) e Alexandre Reda, sócios da Atlas, mantêm otimismo com mercado americano

A Atlas, nova plataforma de investimentos e infraestrutura de pagamentos, construída há pouco mais de três meses por um grupo de executivos com passagem por XP, Banco Modal e Mercado Bitcoin, está apostando em uma tese de internacionalização para acelerar os negócios, apesar do cenário turbulento para investimentos mundo afora. A empresa se apresenta como um “one stop shop” que combina produtos de crédito estruturado, tecnologia e um trilho de remessas para reduzir o atrito de transações internacionais, aproximando investidores de diferentes geografias de operações que, tradicionalmente, ficavam restritas a bancos e institucionais.

O projeto é liderado por Felipe Carvalho Siqueira e Alexandre Reda, que se conhecem há cerca de uma década e trabalharam juntos no mercado financeiro. A origem do time remonta a uma frente de produtos estruturados e B2B desenvolvida dentro do Mercado Bitcoin, onde, segundo o executivo, a operação ganhou relevância rapidamente. “Em três, quatro anos, a gente virou quase 40% da receita da companhia. A gente estava fazendo mais de 50 deals por mês”, afirmou Siqueira, em entrevista ao BRAZIL ECONOMY. Ele atribui a velocidade à automação e ao uso de ferramentas internas. “Um produto que no mercado tradicional demora nove meses para nascer, a gente fazia em um mês, graças aos nossos bots.”

A saída do grupo do Mercado Bitcoin ocorreu após divergências de estratégia. De acordo com Siqueira, a companhia decidiu priorizar uma volta ao DNA mais cripto e mais orientado ao varejo, enquanto o time defendia o foco institucional, B2B e a internacionalização, principalmente nos Estados Unidos, além de produtos estruturados. O movimento teve efeito dominó. “O Reda e eu saímos numa terça, numa quinta-feira o time todo pediu demissão. E organicamente esse time se juntou”, relembrou.

Com a equipe formada, a Atlas estruturou um seed de R$ 5 milhões para acelerar tecnologia e experiência do usuário, com o objetivo de criar uma plataforma global. “A gente fez um seed pequeno só para colocar dinheiro em plataforma, criar a melhor UX”, disse. Ao mesmo tempo, a companhia buscou funding para os produtos, com compromisso de capital no exterior. Segundo o executivo, a empresa chegou a ter US$ 300 milhões comprometidos para investir em operações. “Em dois meses a gente já tinha funding equacionado. A gente liquidou os nossos primeiros R$ 100 milhões com mais de R$ 1 milhão de receita.”

A tese central é operar um mercado pouco atendido pelos grandes bancos: tíquetes menores, estruturação rápida e diversificação geográfica. “Eu vou fazer os produtos que ninguém quer fazer. Eu tenho tecnologia para fazer um deal de R$ 5 milhões que o investment banking jamais vai olhar”, afirmou. Ele destaca que possui um robô interno capaz de modelar carteiras com milhões de linhas para dimensionar tranches, taxas e cenários de estresse “em um minuto”.

No lado de produto, a Atlas afirma ter histórico de originação com baixa inadimplência no segmento de crédito estruturado. “A gente entregou mais de R$ 3 bilhões em crédito estruturado com zero default”, disse o executivo, ao lembrar a fase anterior do time. A proposta é capturar spread de carteiras pulverizadas, com estruturas que incluem garantias e mecanismos como alienação fiduciária e true sale, além de tranches subordinadas e mezaninas que absorvem perdas antes do investidor sênior.

O pipeline declarado é ambicioso. Siqueira afirma ter R$ 7 bilhões em operações já mapeadas, com maior peso em negócios offshore. “Hoje já é 65% do topo de funil americano”, garantiu. Portugal aparece como frente relevante, com operações em real estate e telecom, enquanto os Estados Unidos concentram real estate, renda, infraestrutura e carteiras de mortgage. Há ainda prospecção em Singapura e no Brasil, com consignado, arranjos de pagamento e projetos em energia, telecom e infraestrutura.

A expansão internacional deve ganhar um marco nas próximas semanas, com um evento de lançamento em Brickell, em Miami, voltado a uma lista reduzida de convidados e potenciais clientes. A empresa também prepara a abertura de estrutura em Delaware para facilitar a entrada de investidores americanos.

No captable, a Atlas afirma ter atraído a Credit Saison, instituição financeira não bancária de origem japonesa com base em Singapura, como caminho de conexão com o investidor offshore. Também cita a entrada de investidores anjo, entre eles Paulo Cunha, associado a investimentos em empresas como Stone, Nubank, Cloudwalk e Rappi. “A nossa rodada teve 10 vezes o book, o interesse. Chegamos a ter 50 milhões de interesse e tivemos que segurar”, disse.

A empresa afirma ainda estar reforçando o desenho regulatório e jurídico para operar em sintonia com as regras do mercado de capitais. O executivo diz ter proximidade com CVM e Banco Central e disse que o setor caminha para um ambiente mais transparente, especialmente após episódios recentes que elevaram o nível de cautela no crédito. “Todo evento de crédito amadurece o mercado”, avaliou.

Além de investimentos, a Atlas quer operar um trilho de pagamentos para remessas e liquidação de operações internacionais. A ambição é reduzir o tempo de transferências, aproximando a experiência de um Pix, e atender tanto o investidor quanto empresas com fornecedores no exterior. “Se eu crio o rail de payments, eu consigo viabilizar remittance e também supply chain financing. Em 30 minutos, uma hora, o dinheiro já está lá do outro lado”, disse.

Para 2026, a projeção conservadora da Atlas é entregar cerca de R$ 1,5 bilhão em volume de produtos distribuídos, com receita estimada em R$ 10 milhões no primeiro ano de operação. “Esse é um plano de dez anos”, completou Siqueira. A aposta é que, com execução rápida e arquitetura tecnológica, a empresa consiga ocupar um espaço entre o mercado tradicional e a nova geração de infraestrutura financeira global.

 

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