Enquanto a Faria Lima vivencia uma crise de credibilidade por conta das suspeitas de fraudes bilionárias, a Aurum Wealth Management navega em um mar de águas tranquilas. Se há alguma onda provocada pelas polêmicas recentes que atingem o principal corredor financeiro do País, a family office boutique surfa ao apostar na credibilidade de seus processos e na história do fundador e CEO, Hugh A. Harley, integrante da quinta geração da família fundadora das Lojas Pernambucanas. É nesse cenário que a Aurum aproveita o momento para transformar a desconfiança em algumas instituições em atração de negócios. Já são R$ 3 bilhões sob gestão, com perspectiva de crescimento de até 35% neste ano. A informação foi obtida em primeira mão pelo BRAZIL ECONOMY.
São dois os principais alicerces da Aurum, criada em 2019 para cuidar e administrar patrimônios de famílias de forma personalizada. Ao longo desses seis anos, a companhia tornou-se uma assessoria completa de gestão patrimonial, incluindo assistência em investimentos, fiscal, contábil e jurídica, além de consultoria para planejamento de negócios, sucessão empresarial e transferência de patrimônio.
Um dos pilares é a própria história familiar de Hugh Harley, que viu de perto – dentro de casa, com sua avó, seu pai e tios – uma disputa pelo legado das Lojas Pernambucanas. O executivo ajudou a desembaraçar uma situação delicada, marcada por desentendimentos e até ressentimentos. A saída foi adotar uma gestão profissional para administrar a liquidez da varejista, com mandato para cada integrante da família, a partir de delimitações claras de direitos e deveres.
O outro alicerce é a carreira de Harley, iniciada na Rio Bravo Investimentos. Depois de concluir doutorado em Economia e Ciências Políticas pela Claremont Graduate University, na Califórnia (EUA), atuou na Financial Investimentos como co-gestor de FoF (fundos de fundos) e economista-chefe. Passou ainda pela equipe da Perfin até 2015, quando decidiu estruturar um single family office. Depois vieram outros, até abrir a Aurum.
O desafio agora é absorver os investimentos que entrariam — ou ainda estão — nas grandes instituições financeiras para dentro da estrutura da Aurum. Como? “Mostrando o que somos e o que fazemos. Tenho um nome. Meu legado está na alma. E nossos processos têm transparência e ética”, afirmou o CEO da gestora, que possui selo da Austin Rating de qualidade de administração de ativos, com princípios de compliance e segurança.
Time experiente
Há ainda um outro fator determinante para a Aurum se destacar em um mercado concorrido — e bilionário: a experiente equipe de 12 profissionais envolvidos na operação.
Entre eles, Rogério Pereira, senior partner e CCO da Aurum, responsável pelo relacionamento B2B, B2C e com investidores. O executivo permaneceu por 25 anos no HSBC Bank Brasil e tem trajetória também no Itaú Private Bank, atuando como senior banker no segmento ultra high client, além de passagem pelo Citi Private Bank Brasil como business development director.
Pereira ressaltou que o perfil de clientes da Aurum é formado por detentores de mais de R$ 20 milhões em liquidez, com patrimônio acima de R$ 100 milhões. É uma faixa que não tem sido bem atendida pelos bancos tradicionais, na visão do CCO. “Temos condições de oferecer um serviço muito personalizado, a partir do perfil dos investidores.”
O executivo destacou ainda que o cenário atual é de procura por “gestores com cabelos brancos, credibilidade, conhecimento de governança e capacidade real de gestão”. “Quem é bom e tem know-how tende a ganhar market share. Estamos sendo procurados e avaliando oportunidades que surgiram à mesa”, disse.
De maneira transversal nos negócios da Aurum está a educação financeira das famílias atendidas, com aprendizado das funções de gestão financeira, definição de papéis, alinhamento de expectativas e mapeamento de objetivos futuros.
Em um mercado que vive ciclos de euforia e correção, a Aurum aposta na disciplina e na governança como ativos centrais.
