A atualização da Norma Regulamentadora nº 01 inaugura uma nova etapa na agenda de saúde ocupacional no Brasil ao tornar explícita a obrigatoriedade de identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Antes mesmo da entrada em vigor do texto consolidado, prevista para maio de 2026, a Claro decidiu testar, em escala nacional, um modelo estruturado de diagnóstico e governança desses riscos em parceria com a Previneo.
Entre abril e agosto de 2025, a operadora implementou o projeto Claro Saúde Integral, iniciativa que envolveu cerca de 40 mil colaboradores e buscou ir além das tradicionais pesquisas de clima organizacional. O questionário aplicado, com mais de 70 perguntas, avaliou até dez dimensões relacionadas a fatores como controle sobre o trabalho, demandas, relacionamentos e indicadores de saúde mental. A taxa de resposta foi de 30 por cento, patamar considerado relevante em levantamentos corporativos dessa magnitude.
A NR-01 estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho e consolidou o Programa de Gerenciamento de Riscos como eixo central da política preventiva nas empresas. Com a atualização publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em agosto de 2024, a norma passou a explicitar que o PGR deve contemplar também riscos psicossociais, incluindo estresse crônico, sofrimento mental e fatores organizacionais capazes de impactar a saúde dos trabalhadores. Trata-se de uma mudança qualitativa, que desloca a saúde mental do campo das iniciativas voluntárias para o âmbito da conformidade regulatória.

Na avaliação de Rinaldo Guazzelli, COO da Previneo, o projeto funcionou como um laboratório regulatório. Segundo ele, a plataforma desenvolvida permitiu mensurar riscos de saúde mental e física com base em critérios técnicos, criando subsídios para planos de ação alinhados às exigências futuras da norma. O trabalho contou com a participação do psiquiatra clínico e forense Carlos Augusto Maranhão de Loyola e com equipes médicas das duas organizações, o que reforça a tentativa de conferir robustez metodológica ao processo.
Um dos elementos centrais do desenho foi a separação entre diagnóstico e gestão de pessoas. Os resultados não são individualizados nem acessados pelo RH. As respostas são tratadas de forma confidencial e os dados consolidados são direcionados exclusivamente ao corpo médico da companhia. Essa arquitetura busca reduzir o risco de estigmatização e, ao mesmo tempo, fornecer à organização um painel estruturado para compor o Programa de Gerenciamento de Riscos. Do ponto de vista de governança, a medida sinaliza preocupação com compliance e proteção de dados sensíveis.
