46 milhões de invisíveis: como os dados positivos de crédito podem mudar esse cenário

A confiança precisa ser traduzida em dados, e cabe ao ecossistema utilizar sua expertise para reduzir incertezas e promover inclusão financeira de forma sustentável

Fernando Musolino*
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Imagens: Divulgação

Fernando Musolino é presidente regional da TransUnion Brasil, empresa global de informações e insights

Fernando Musolino é presidente regional da TransUnion Brasil, empresa global de informações e insights

Você já parou para refletir sobre o poder transformador dos dados? Em um país como o Brasil, onde o mercado de crédito está entre os dez maiores do mundo, essa pergunta é mais do que pertinente: é urgente. Estima-se que quatro em cada dez brasileiros estejam subatendidos ou invisíveis para o sistema de crédito. Um levantamento da TransUnion indica que isso representa aproximadamente 46 milhões de pessoas sem acesso a crédito formal ou de qualidade.

Esse cenário não se deve à falta de capacidade financeira, mas sim à falta de histórico, de registro e de elementos que permitam reduzir a incerteza por parte dos credores. Essa constatação nos leva a refletir sobre o fato de que a negativação não pode ser o ponto final na jornada de crédito e de que o ecossistema financeiro não está utilizando todo o poder transformador que os dados podem oferecer.

Neste mercado competitivo, a análise de clientes sob a perspectiva de dados alternativos e positivos tem se mostrado um diferencial poderoso. Agora, em uma economia onde mais de 70 milhões de pessoas estão negativadas, deixar de aprofundar as análises sobre esse público nas decisões de aquisição, manutenção e cobrança talvez não seja fazer o melhor uso das informações disponíveis.

Aí reside o verdadeiro poder dos dados: construir confiança onde antes só havia dúvida. Hoje, a confiança precisa ser traduzida em dados, e cabe ao ecossistema utilizar sua expertise para reduzir incertezas e promover inclusão financeira de forma sustentável.

O Brasil é considerado um mercado maduro em termos analíticos. Segundo levantamento da Boston Consulting Group, cerca de 80% dos players afirmam desenvolver suas próprias ferramentas, como modelos preditivos e estudos analíticos, além de consumirem dados de diversas fontes para tomada de decisão. O Cadastro Positivo foi um avanço importante, permitindo uma visão mais ampla do consumidor. Mas, na prática, muitas políticas ainda se apoiam fortemente em informações negativas, limitando estratégias de aquisição e cobrança.

O desejo por inclusão é evidente. A edição mais recente do estudo Consumer Pulse da TransUnion revelou que quase 60% dos consumidores consideram o acesso ao crédito essencial para alcançar seus objetivos financeiros. Além disso, 67% acreditam que suas pontuações de crédito aumentariam se bancos e credores utilizassem dados alternativos na avaliação. As pessoas querem participar, querem consumir e querem ser vistas.

E quando falamos em inclusão financeira, falamos em existir economicamente: ter acesso a crédito, oportunidades, investimentos e qualidade de vida.

O futuro do crédito no Brasil depende da nossa capacidade de usar a informação para o bem, com ética, tecnologia e impacto positivo. Porque, quando confiamos nos dados certos, confiamos nas pessoas certas. E é isso que transforma o mercado.

A pergunta que fica é: estamos prontos para usar todo o poder dos dados para incluir quem ainda está à margem? A resposta precisa ser sim e precisa começar agora.

*Fernando Musolino é presidente regional da TransUnion Brasil, empresa global de informações e insights

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